Caso Epstein: advogados pedem remoção urgente de fotos de jovens nuas em documentos divulgados
Advogados que representam as vítimas do bilionário Jeffrey Epstein solicitaram nesta segunda-feira (2) a retirada imediata dos arquivos do caso do site do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O pedido ocorreu após a identificação de dezenas de imagens de jovens nuas, algumas delas possivelmente menores de idade e com rostos visíveis, entre os documentos publicados.
Danos contínuos e irreversíveis para as vítimas
Em carta endereçada aos juízes distritais dos EUA, Richard Berman e Paul Engelmayer, os advogados Brittany Henderson e Brad Edwards destacaram a urgência da situação. "Para as vítimas de Jeffrey Epstein, cada hora importa. O dano é contínuo e irreversível", escreveram os profissionais, conforme citado pela ABC News.
Jeffrey Epstein, um agressor sexual que mantinha relação próxima com o ex-presidente americano Donald Trump, morreu na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores. A morte foi oficialmente declarada como suicídio.
Imagens entre milhões de páginas divulgadas
As fotografias controversas estavam entre as mais de três milhões de páginas dos arquivos do caso liberadas na última sexta-feira (30). Após ser alertado pelo jornal The New York Times, o Departamento de Justiça afirmou que retirou as fotos com nudez e aquelas nas quais as vítimas podiam ser identificadas.
O New York Times relatou ter encontrado quase quarenta imagens não editadas que pareciam fazer parte de uma coleção pessoal de fotos. "As pessoas nas fotos pareciam ser jovens, embora não estivesse claro se eram menores de idade. Algumas das imagens pareciam mostrar a ilha particular do Sr. Epstein, incluindo uma praia. Outras foram tiradas em quartos e outros espaços privados", detalhou a reportagem.
Resposta do Departamento de Justiça
Por meio de uma porta-voz, o Departamento de Justiça dos EUA declarou que está "trabalhando ininterruptamente para respeitar todas as garantias das vítimas, incluindo a ocultação de informações pessoais identificáveis e quaisquer arquivos que exijam novas ocultações de acordo com a lei, como imagens de natureza sexual".
A porta-voz acrescentou que, "assim que as devidas ocultações forem feitas, todos os documentos pertinentes serão disponibilizados on-line novamente".
Personalidades envolvidas e novos documentos
Muitas fotos dos arquivos incluem Epstein e outras personalidades ao lado de mulheres aparentemente jovens. Uma das sequências mostra o então príncipe Andrew, irmão do rei Charles III da Inglaterra, ajoelhado ao lado de uma mulher.
Ao anunciar a disponibilização do novo lote de documentos na sexta-feira, o vice-procurador-geral Todd Blanche informou que a nova leva inclui mais de dois mil vídeos e cento e oitenta mil imagens, contendo "grandes quantidades de pornografia comercial". Ele garantiu que a Casa Branca não participou da revisão dos arquivos, negando qualquer interferência do ex-presidente Donald Trump.
Processo de liberação dos arquivos
A divulgação dos arquivos da investigação começou em dezembro. O departamento tinha até o dia 19 do mês para publicá-los em sua totalidade, conforme a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein sancionada por Trump, mas o prazo não foi respeitado.
No dia 23 de dezembro, o governo dos EUA liberou mais de trinta mil documentos, revelando a proximidade de Epstein com políticos e famosos, incluindo a citação de uma vítima brasileira. No dia 24, o departamento comunicou que demoraria "algumas semanas" para liberar o restante dos milhares de documentos.
Blanche afirmou que a liberação das novas evidências marca o fim do processo de revisão: "A divulgação de hoje marca o fim de um processo muito abrangente de identificação e revisão de documentos para garantir transparência ao povo americano e conformidade com a lei".