Caso Epstein: Maior liberação de documentos expõe nomes de políticos e bilionários
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos realizou, na última sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, a maior divulgação pública de documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein. Este acervo monumental, determinado pelo Congresso americano, contém mais de 3 milhões de páginas, 2.000 vídeos e aproximadamente 180.000 imagens, compilados ao longo de anos de investigações sobre o financista condenado por abuso sexual de menores, que faleceu em 2019 em uma prisão federal.
A liberação, considerada a última grande ação de transparência vinculada ao caso, expõe uma lista extensa de figuras poderosas de diversos países. Entre os nomes mencionados estão o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os bilionários Elon Musk e Bill Gates, além de autoridades e personalidades públicas do Reino Unido, França, Israel e nações nórdicas. Os arquivos também incluem referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e elogios ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Reações e negativas dos principais citados
Os documentos reúnem e-mails, relatos e citações indiretas, em grande parte sem comprovação factual, o que tem provocado uma onda de reações e negativas por parte dos indivíduos mencionados. A maioria enfatiza a falta de evidências concretas e alega que as informações podem ser falsas ou manipuladas.
Donald Trump é citado centenas de vezes nos arquivos, com cerca de 4.500 referências, incluindo denúncias não comprovadas enviadas ao FBI. Em resposta, a Casa Branca alertou que os documentos podem conter dados imprecisos. Nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, Trump negou publicamente qualquer vínculo com Epstein, afirmando nunca ter visitado a ilha particular do financista e acusando adversários políticos de promover uma campanha de difamação. Em publicação nas redes sociais, ele descreveu as citações como parte de uma conspiração da esquerda radical.
Bill Gates aparece em rascunhos de e-mails escritos por Epstein, que alegam encontros extraconjugais e até a contração de uma doença sexualmente transmissível. Não há indícios de que essas mensagens tenham sido enviadas ou recebidas por Gates. A Fundação Bill e Melinda Gates classificou as acusações como absolutamente falsas e absurdas.
Elon Musk é mencionado em trocas de mensagens atribuídas a Epstein, incluindo convites para visitar sua ilha no Caribe. O bilionário afirmou que nunca aceitou os convites, teve pouquíssima correspondência com Epstein e sugeriu que as mensagens podem estar fora de contexto.
Menções ao Brasil e reações internacionais
Os arquivos trazem referências ao Brasil, embora não indiquem contato direto entre Epstein e autoridades brasileiras. Em uma troca de e-mails com Steve Bannon em 2018, Epstein elogiou o então candidato Jair Bolsonaro, afirmando que ele teria mudado o jogo na política migratória. Não há registro de interação direta entre os dois.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é citado em mensagens escritas pelo linguista Noam Chomsky, que relatou a Epstein seu envolvimento na campanha Lula Livre e descreveu o petista como o prisioneiro político mais importante do mundo. Segundo os documentos, Chomsky manteve contato prolongado com Epstein e foi convidado a visitar suas residências. Não há indícios de que Lula ou Bolsonaro tenham mantido qualquer relação pessoal com Epstein.
No cenário internacional, os documentos revelam:
- Reino Unido: E-mails trocados com uma pessoa identificada como O Duque, supostamente Andrew Mountbatten-Windsor, ex-duque de York, discutindo jantares privados no Palácio de Buckingham. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que Andrew deveria prestar esclarecimentos. Mountbatten-Windsor tem negado repetidamente qualquer irregularidade.
- França e países nórdicos: Menções a contatos envolvendo o presidente Emmanuel Macron quando era ministro da Economia, sem comentários oficiais do Palácio do Eliseu. A princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, confirmou encontros com Epstein, mas negou visitas à ilha.
- Israel e Oriente Médio: O ex-primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, aparece em registros de estadias em um apartamento de Epstein em Nova York, reconhecendo os contatos, mas negando atividades ilegais.
- Eslováquia e Turquia: O ex-chanceler eslovaco Miroslav Lajcak renunciou após ser citado, negando irregularidades. Na Turquia, e-mails mostram pedidos de apoio financeiro a Epstein por pessoas ligadas à Robert College.
- Ucrânia e Rússia: Mensagens atribuídas a Epstein mencionam o opositor russo Ilya Ponomarev e fazem comentários depreciativos sobre o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, sem evidência de contato direto.
Esta liberação de documentos continua a gerar debates sobre transparência, justiça e a influência de figuras poderosas em casos de alto perfil, com muitas questões ainda sem respostas definitivas.