Arquivos de Epstein revelam tráfico de mulheres e envolvimento de figuras públicas
Um novo lote de mais de 3 milhões de documentos relacionados à investigação do falecido agressor sexual Jeffrey Epstein foi divulgado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, trazendo à tona indícios alarmantes de que o criminoso pode ter traficado mulheres para outros homens. Os arquivos, publicados na sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, apontam para o possível envolvimento de diversas figuras públicas nos casos de abusos sexuais, ampliando o escopo do escândalo que já chocou o mundo.
Acusações detalhadas contra Harvey Weinstein
Entre os documentos, um memorando de acusação assinado por promotores assistentes dos Estados Unidos descreve um encontro perturbador. Segundo a acusação, Ghislaine Maxwell, namorada de longa data e cúmplice de Epstein, teria dito a uma mulher que Epstein havia saído de sua casa, mas que havia um amigo hospedado que ela poderia massagear. Durante essa interação, Maxwell supostamente ofereceu dinheiro à mulher para que ela se envolvesse sexualmente com o homem.
Quando os advogados da mulher lhe mostraram uma foto do magnata do cinema Harvey Weinstein, ela o identificou como o homem que teria encontrado na casa de Epstein. O documento alega que Weinstein pediu que a mulher tirasse a blusa e, após ela recusar, ele teria ameaçado chamar outras mulheres para forçá-la a tirar a roupa. Weinstein, que foi um dos maiores alvos do movimento MeToo e está preso após condenação por agressão sexual, negou as alegações através de seu representante.
Harvey nega isso. O documento citado é um memorando de acusação interna no caso Maxwell que registra alegações, não descobertas, afirmou o representante. Weinstein nunca foi acusado, investigado ou processado em conexão com Epstein.
Figuras públicas mencionadas nos documentos
Os arquivos recém-divulgados contêm referências a várias figuras públicas de alto perfil, incluindo:
- Donald Trump: O presidente dos Estados Unidos é mencionado centenas de vezes nos documentos, que incluem uma lista elaborada pelo FBI com acusações de agressão sexual relacionadas a ele, muitas provenientes de ligações anônimas e informações não verificadas. Trump negou reiteradamente qualquer irregularidade no caso Epstein.
- Bill Gates: Em um rascunho de e-mail incluído nos documentos, Epstein alega que o cofundador da Microsoft teve relações extraconjugais, afirmando que sua relação incluiu ajudar Gates a conseguir drogas para lidar com as consequências de encontros sexuais com mulheres russas e facilitar encontros ilícitos com mulheres casadas.
- Outras personalidades: O secretário de Comércio Howard Lutnick e o bilionário britânico Richard Branson também estão entre os mencionados, embora os detalhes de seu envolvimento não tenham sido especificados nos documentos divulgados.
Transparência e impacto da divulgação
O vice-procurador-geral Todd Blanche comentou sobre a importância da divulgação dos documentos, destacando que marca o fim de um processo amplo de identificação e revisão de documentos para garantir transparência ao povo americano e cumprimento das normas. No entanto, não está claro até que ponto as autoridades investigaram as alegações contidas nos arquivos, levantando questões sobre a extensão real do envolvimento das figuras citadas.
Jeffrey Epstein cometeu suicídio em 2019 enquanto aguardava julgamento por crimes sexuais, deixando um legado de mistério e controvérsia. A nova leva de documentos não apenas reforça as acusações contra ele, mas também sugere uma rede mais ampla de abusos, com implicações significativas para a justiça e a opinião pública. A divulgação desses arquivos promete manter o caso Epstein no centro das atenções, enquanto investigações e debates continuam a se desdobrar.