São Paulo mapeia 170 pontos críticos de alagamento; Avenida Anhaia Mello lidera preocupações
SP tem 170 pontos críticos de alagamento; obras atrasam

São Paulo enfrenta 170 pontos crônicos de alagamento; obras de prevenção sofrem atrasos

Os alagamentos já se tornaram uma realidade frequente em diversas regiões de São Paulo, especialmente durante períodos de chuva mais intensa. Vias importantes da capital paulista costumam encher de água, interrompendo o trânsito, invadindo comércios e deixando moradores ilhados. Nesta quarta-feira (28), a chuva já colocou parte da cidade em estado de atenção, com registros de afogamento e desabamento na Zona Sul, conforme relatos dos bombeiros.

Mapeamento detalhado e plano de ação preventivo

De acordo com a prefeitura, existem 170 pontos críticos de alagamento mapeados na cidade, os quais estão incluídos no Plano de Ação Preventivo para Chuvas de Verão 2025/2026. Este documento reúne áreas que tradicionalmente alagam mesmo com chuvas de curta duração, prevendo ações de prevenção e resposta emergencial para minimizar os impactos.

Segundo as autoridades municipais, a Avenida Professor Luiz Ignácio Anhaia Mello, localizada na Zona Leste de São Paulo, é atualmente a via que mais preocupa o poder público em relação a alagamentos. Ao longo de aproximadamente dez quilômetros, há pelo menos sete pontos crônicos que costumam inundar rapidamente, mesmo com precipitações breves.

Obras de drenagem e piscinões em andamento

Para tentar reduzir os alagamentos, a prefeitura mantém obras de drenagem em diferentes regiões da cidade, incluindo a construção de piscinões. Um exemplo é o novo piscinão para contenção de cheias do Córrego da Mooca, na Avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, cujas obras começaram em junho de 2024.

Inicialmente, a previsão de entrega estava marcada para agosto de 2026, mas a administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB) adiou a conclusão para o segundo semestre de 2027. Além disso, o custo total do projeto foi reajustado de R$ 166,6 milhões para R$ 178,5 milhões, conforme dados oficiais.

Em nota, a prefeitura justificou o aditamento, afirmando que foi necessário devido a acréscimos de serviços identificados durante a execução da obra. Entre eles, estão a remoção de postes de concreto, a utilização de argamassa de coulis para paredes diafragma plásticas, adequações nas armaduras das estacas dos pilares e intervenções relacionadas à Licença Ambiental de Instalação (LAI).

Principais pontos com risco de alagamento em São Paulo

Conforme o mapeamento da prefeitura, os pontos críticos estão distribuídos por todas as regiões da capital. Alguns dos principais incluem:

  • Zona Leste: Av. Prof. Luiz Ignácio Anhaia Mello em diversos cruzamentos, Av. Aricanduva x Rua Manilha, Radial Leste x Viaduto Bresser.
  • Zona Norte: Av. Cruzeiro do Sul x Av. Gal. Ataliba Leonel, Marginal Tietê sob a Ponte das Bandeiras.
  • Zona Oeste: Av. Francisco Matarazzo x Av. Pompeia, Marginal Pinheiros sob a Ponte do Jaguaré.
  • Zona Sul: Av. dos Bandeirantes x Av. Santo Amaro, Av. Roque Petroni Jr. x Rua Chafic Maluf.

Estado de atenção e incidentes recentes

Na tarde desta quarta-feira (28), áreas da cidade de São Paulo entraram em estado de atenção, de acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da prefeitura. A Zona Sul foi a primeira a receber o alerta, às 14h16, seguida pelas Zonas Leste e Sudeste, às 14h56.

O Corpo de Bombeiros registrou um afogamento na Avenida Garcia de Ávila, na Cidade Ademar, Zona Sul da capital. As primeiras informações indicam que a vítima foi arrastada pela enxurrada e levada para debaixo de um veículo, sendo resgatada por moradores e encaminhada à UPA Jabaquara, sem detalhes sobre seu estado de saúde.

Até as 14h30, os bombeiros atenderam a quatro chamados para queda de árvores nos bairros do Grajaú e em Mogi das Cruzes, além de um desabamento na Rua Igapó, no Jaçanã, e dois atendimentos por enchentes em Suzano. No caso do desabamento, tratava-se de um galpão, com uma vítima envolvida, exigindo o deslocamento de cinco viaturas para o local.

A Avenida Doutor Assis Ribeiro, em Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo, também registrou pontos de alagamento, reforçando a gravidade da situação. Imagens do radar meteorológico do CGE mostram chuva forte nas Zonas Sul, Leste e Sudeste, com potencial para rajadas de vento, alagamentos e transbordamentos, devido à atuação de áreas de chuva formadas pelo calor e pela entrada da brisa marítima.