Desabamento no Maracanã: Bombeiros resgatam menina de 7 anos após 5 horas sob escombros
O pedido de socorro “Me tira daqui”, feito por uma criança de 7 anos presa sob os escombros, marcou o trabalho de resgate após o desabamento de duas casas de quatro pavimentos no Maracanã, Zona Norte do Rio de Janeiro, na madrugada desta segunda-feira (2). Às 6h24, após mais de 5 horas de operação, a menina foi resgatada com vida, enquanto a mãe, de 40 anos, seguia presa na estrutura que colapsou.
Operação de resgate mobiliza 50 bombeiros militares
Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), Ágatha Valentina ficou presa junto com a mãe, Michele Martins, na estrutura que desabou em efeito “panqueca”, quando os pavimentos caem uns sobre os outros. Cinquenta bombeiros militares, de sete unidades, incluindo o Grupo de Operações Especiais (GOE), foram mobilizados para a ocorrência.
Durante a operação, os militares tentaram acalmar a criança enquanto trabalhavam para retirá-la dos escombros. “Calma, a gente já vai te tirar. Já está quase acabando. Evita todo mundo falar com ela ao mesmo tempo”, orientou um dos bombeiros no local.
Mãe não respondia aos comandos durante o resgate
De acordo com o porta-voz do Corpo de Bombeiros, major Fábio Contreiras, a mãe da criança não respondia aos comandos no momento do resgate, o que é comum em ocorrências desse tipo. “Em situações de soterramento, é frequente encontrarmos vítimas inconscientes”, explicou o oficial.
Às 6h25, a mãe seguia sob os escombros, e os esforços de resgate continuavam intensos. O estado de saúde das vítimas resgatadas não havia sido divulgado até a última atualização desta reportagem.
Moradores relatam desabamento rápido e sem aviso
Moradores da região descreveram o desabamento como um evento súbito e assustador. O produtor cultural Tácito Simões Ventura disse que ouviu um barulho forte e correu para avisar a mãe. “Foram cinco minutos, tudo muito rápido. Achei que fosse um trovão. Quando vi a parede estalando, mandei ela sair na hora”, contou.
A doméstica Lúcia Félix Martins afirmou que estava dormindo quando ficou soterrada. Ela foi retirada pelo filho. “Eu não vi nada. Só senti ele me puxando debaixo do concreto, eu e minha neta. Foi do nada”, disse.
Já a estudante Gabriela Martins relatou que ficou presa ao tentar sair do imóvel e entrou em desespero ao achar que familiares estavam sob os escombros. “Minha perna ficou presa. Quando consegui sair, vi tudo caindo. Achei que minha mãe e minha filha tinham ficado embaixo, mas meu irmão conseguiu tirá-las”, explicou.
Área isolada e causas ainda sob investigação
A área do desabamento foi isolada pelas autoridades, e a Defesa Civil foi acionada para avaliar as condições de imóveis vizinhos. As causas do desabamento ainda serão investigadas, com especialistas analisando possíveis fatores estruturais ou ambientais que possam ter contribuído para o colapso.
O incidente reforça a importância de medidas de segurança em construções urbanas, especialmente em áreas densamente povoadas como o Maracanã. A comunidade local aguarda mais informações sobre o estado das vítimas e os resultados da investigação.