Idoso de 75 anos morre arrastado por enchente em São Paulo ao tentar salvar carro
Idoso morre arrastado por enchente em SP ao salvar carro

Idoso de 75 anos morre arrastado por enchente em São Paulo ao tentar salvar carro

O funcionário público aposentado Romeu Maccione Neto, de 75 anos, faleceu tragicamente após ser arrastado por uma enxurrada na Vila Guilherme, Zona Norte de São Paulo. O sepultamento está marcado para esta terça-feira (27), conforme informado pela família.

Momento crítico foi registrado por moradores

No domingo (25), Romeu saiu de sua residência com o objetivo de guardar o carro, que estava sendo levado pela água da chuva intensa. Infelizmente, ele perdeu o equilíbrio e caiu, sendo imediatamente arrastado pela correnteza. Moradores da Rua Piatá capturaram em vídeo o instante em que o idoso foi levado pela enxurrada, um registro que evidencia a gravidade da situação.

Testemunhas relataram que um funcionário de um posto de gasolina local e um motociclista que se encontrava no local correram para tentar prestar socorro. Romeu foi encontrado desacordado aproximadamente 100 metros adiante, preso embaixo de um veículo. Os homens conseguiram retirá-lo de baixo do carro, mas ele já não apresentava sinais de vida.

Resgate e falecimento no local

O Corpo de Bombeiros foi acionado e atendeu a vítima no local, porém, Romeu não resistiu aos ferimentos. A ocorrência foi oficialmente registrada como morte acidental, destacando os perigos das enchentes urbanas. A família comunicou que o velório será realizado no Cemitério do Horto Florestal, e Romeu deixa saudades em sua irmã e dois sobrinhos.

Paixões pela arte e pela história do rádio

Romeu Maccione Neto era conhecido não apenas por sua carreira no serviço público municipal, onde trabalhou por muitos anos no Mercadão Municipal de São Paulo, mas também por suas paixões artísticas. Ele atuou como ator de teatro amador, participando de diversas peças que iam da comédia ao drama, e também se apresentou para o público infantil em escolas da Região Metropolitana.

Além disso, Romeu era um pesquisador dedicado da história das cantoras da era de ouro do rádio brasileiro. Seu sobrinho, Marcos Maccione, que morava com ele, relembra: Desde que era menino eu lembro dele falando sobre cantoras como Dalva de Oliveira e Emilinha Borba. Ele acumulou um vasto acervo de discos em casa, que a família planeja organizar.

Na última década, após a aposentadoria do serviço público, Romeu tornou-se uma referência no assunto, ministrando palestras e participando de eventos culturais. Em novembro, foi convidado para o evento Revisitando Frequências: A Era do Rádio, no Sesc Guarulhos, demonstrando seu compromisso com a preservação da memória musical.

Vida pessoal e legado

Nascido e criado em bairros como Santana e Vila Maria, na Zona Norte de São Paulo, Romeu era descrito como uma pessoa reservada na vida pessoal, mas bastante ativa e vaidosa – chegando a pintar a barba. Mesmo após se aposentar dos palcos, continuou frequentando teatros e assistindo a shows com um grupo de amigos próximos, mantendo seu amor pela cultura viva.

Esta tragédia serve como um alerta sobre os riscos das enchentes em áreas urbanas, especialmente para idosos, e ressalta a importância de medidas de segurança durante eventos climáticos extremos.