Advogada recebe alta após salvar mãe e criança pendurada em ar-condicionado durante incêndio no PR
Advogada recebe alta após salvar família em incêndio no PR

Advogada recebe alta após heroico resgate em incêndio que completou três meses

Juliane Vieira, uma advogada de 29 anos, recebeu alta hospitalar nesta terça-feira (20), marcando um capítulo de superação após um ato de extrema coragem. Ela estava internada no Hospital Universitário de Londrina, no norte do Paraná, desde o dia 15 de outubro de 2025, quando ficou gravemente ferida ao salvar a mãe e o primo de 4 anos durante um incêndio no prédio onde moravam, no centro de Cascavel, no oeste do estado.

A informação sobre a alta foi confirmada pela assessoria do hospital, embora não haja detalhes específicos sobre o estado de saúde atual de Juliane. Em janeiro, foi divulgado que ela estava consciente e respirando naturalmente, um progresso significativo considerando a gravidade das lesões.

Longa recuperação e melhora gradual

Em dezembro de 2025, a mãe de Juliane, Sueli Vieira, informou com exclusividade à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, que a jovem estava acordando aos poucos do coma induzido e já conseguia se comunicar com familiares. Para alcançar essa melhora, foram necessários quase dois meses de internação no Centro de Tratamento de Queimados, uma unidade referência no estado para atendimento a pacientes com queimaduras.

A advogada teve impressionantes 63% do corpo queimado no incêndio, que completou três meses na quinta-feira (15). Em novembro de 2025, a Polícia Civil concluiu a investigação e apontou que o incêndio não foi intencional, não havendo sinais de crime. Segundo o laudo pericial, as chamas começaram na cozinha do apartamento.

O incidente e o ato heroico

O incêndio aconteceu na manhã de 15 de outubro, em um apartamento no 13º andar, localizado no cruzamento das ruas Riachuelo e Londrina, no bairro Country, em Cascavel. Imagens que circularam nas redes sociais mostraram Juliane do lado de fora do prédio, pendurada em um suporte de ar-condicionado, em uma tentativa desesperada de resgatar a família.

No apartamento, estavam a mãe dela, Sueli, de 51 anos, e o primo, Pietro, de apenas 4 anos. Após conseguir ajudar os dois, Juliane foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros, mas não sem sofrer graves consequências.

Consequências para todos os envolvidos

Juliane Vieira sofreu queimaduras em 63% do corpo, exigindo um longo período de recuperação. Sueli Vieira, a mãe, teve queimaduras no rosto, nas pernas e inalou fumaça, além de ter as vias respiratórias queimadas. Ela ficou 11 dias internada no Hospital São Lucas, em Cascavel.

Pietro, o primo de 4 anos, foi transferido para Curitiba devido à inalação de fumaça e queimaduras nas pernas e mãos. Ele permaneceu 16 dias internado e recebeu alta no fim de outubro.

Dois bombeiros também foram afetados durante o resgate. Um deles teve queimaduras nos braços, nas mãos e em parte das costas, sendo internado e recebendo alta dias depois. Outro sofreu queimaduras nas mãos e passou por atendimento médico.

Perfil de Juliane: uma mulher de força e determinação

Juliane é advogada e reside em Cascavel. Amigos a descrevem como uma pessoa prática e resoluta, características que ficaram evidentes durante o incidente. "A Ju sempre foi prática, de resolver as coisas. E o fato de ter salvado a mãe e o primo resume bem quem ela é", afirma Jeferson Espósito, amigo da vítima.

Ele ainda destaca a capacidade de Juliane em superar situações difíceis: "Já vi a Ju passar por dias difíceis, daqueles em que a vontade era ficar na cama, sem enxergar sentido no caminho que estava trilhando. Mas era só questão de tempo até ela recalcular a rota".

Além da advocacia, Juliane pratica crossfit e mantém uma rotina saudável, frequentemente compartilhada em suas redes sociais. "Ela gosta de treinar, de sair com os amigos, de estar ao ar livre. Mas também aprecia o silêncio, o seu canto e os momentos com a família", complementa Jeferson.

Em uma publicação, ela aparece durante um treino ao lado do cachorrinho Barthô. O animal também foi resgatado durante o incêndio e, felizmente, não sofreu ferimentos.

Este caso chama a atenção não apenas pela tragédia do incêndio, mas pelo exemplo de coragem e resiliência demonstrado por Juliane Vieira, que agora inicia uma nova fase de recuperação fora do ambiente hospitalar.