Motorista embriagado invade calçada e atropela família após ser liberado por violência doméstica
Um caso grave de violência no trânsito chocou a cidade de Praia Grande, no litoral de São Paulo, na noite de quarta-feira (28). Bruno de Souza Damo, de 41 anos, foi preso em flagrante por dirigir embriagado e atropelar um casal com uma criança de apenas dois anos de idade. As imagens de câmeras de monitoramento mostram o momento em que o motorista invade a calçada na Rua Bruno Seabra, no bairro Trevo, por volta das 22h, atingindo as vítimas que caminhavam tranquilamente.
Duas prisões no mesmo dia revelam sequência de violência
O que torna este caso ainda mais alarmante é que Bruno já havia sido detido horas antes, por volta das 15h do mesmo dia, no bairro Gonzaguinha, em São Vicente. Ele foi preso em flagrante por resistência, violência doméstica e injúria após agredir a própria namorada. Testemunhas acionaram a Polícia Militar ao verem o homem hostilizando a mulher, com relatos de que ele a empurrou violentamente ao chão e chegou a armar um soco.
Conforme o boletim de ocorrência, os policiais precisaram usar força moderada para conter Bruno, que se exaltou e resistiu à prisão. A vítima contou que o desentendimento começou na praia, motivado por ciúmes. Curiosamente, ela inicialmente se identificou como ex-namorada, mas depois alterou a informação, afirmando ter um relacionamento de dois anos com o suspeito.
Liberação precoce e consequências trágicas
Após a primeira prisão, Bruno foi liberado da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Vicente porque a namorada agredida decidiu não representar criminalmente contra ele. Horas depois, usando o carro da própria vítima – que era a proprietária do veículo e estava dentro do automóvel no momento do atropelamento –, o homem protagonizou a segunda tragédia.
No vídeo do atropelamento, é possível ver claramente as vítimas sendo surpreendidas pelo carro que avançou em alta velocidade na calçada. O impacto foi tão forte que a família foi projetada contra o portão de uma residência, terminando dentro da casa. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) socorreu as vítimas e as encaminhou ao Pronto-Socorro Central, embora não haja detalhes públicos sobre seu estado de saúde.
Embriaguez evidente e tentativa de homicídio
Quando a Polícia Militar chegou ao local do atropelamento, encontrou Bruno sendo agredido por testemunhas indignadas. Os agentes contiveram os agressores e imediatamente perceberam que o motorista apresentava sinais visíveis de embriaguez: olhos vermelhos, fala desconexa e forte odor de álcool. O delegado efetuou a prisão em flagrante por embriaguez ao volante e, mais grave ainda, por tentativa de homicídio.
A polícia sustenta que Bruno tentou matar as vítimas ao lançar o carro deliberadamente na direção da família, usando o veículo como arma. Esta interpretação muda completamente a natureza do crime, elevando-o de um mero acidente de trânsito para uma tentativa de homicídio doloso.
Depoimentos contraditórios e justificativas frágeis
Em seu depoimento, Bruno confessou ter consumido bebida alcoólica, mas se recusou a fazer o teste do bafômetro. Ele alegou que perdeu o controle da direção quando atropelou as vítimas e tentou prestar socorro, mas foi impedido pelos moradores que o agrediram.
Já a namorada, proprietária do carro, deu uma versão diferente à polícia. Ela afirmou que o veículo tinha problemas na troca de marchas e que o casal havia ido à casa de sua irmã, sofrendo o acidente na volta. A mulher admitiu que Bruno havia bebido cerveja, mas disse não saber o que aconteceu para o carro não conseguir efetuar uma curva. Ela também contou que tentou impedir as agressões contra o namorado, mas só conseguiu com a chegada da PM.
O caso permanece sob investigação, e o g1 não conseguiu localizar a defesa de Bruno até o fechamento desta reportagem. A sequência de eventos – prisão por violência doméstica, liberação rápida e novo crime grave horas depois – levanta sérias questões sobre a eficácia das medidas protetivas e a necessidade de revisão dos protocolos de liberação em casos de violência contra a mulher.