Um táxi-robô autônomo da Waymo, empresa pertencente à Alphabet, controladora do Google, atropelou uma criança nas proximidades de uma escola primária na Califórnia, Estados Unidos, nesta quinta-feira, dia 29. A criança sofreu ferimentos considerados leves, mas o incidente imediatamente desencadeou uma série de investigações por parte das autoridades norte-americanas e reacendeu as preocupações públicas quanto à segurança dos veículos autônomos em operação nas vias públicas.
Investigações oficiais são abertas após o atropelamento
Pouco mais de uma semana após o ocorrido, a Administração Nacional de Segurança Rodoviária, conhecida pela sigla NHTSA, anunciou formalmente a abertura de uma investigação sobre o caso. Paralelamente, o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes, o NTSB, também comunicou que conduzirá sua própria apuração sobre o incidente. Em resposta, a Waymo divulgou uma nota em seu blog oficial, comprometendo-se a cooperar integralmente com as investigações e afirmando que seu veículo detectou rapidamente a criança e acionou os freios de maneira brusca.
Detalhes do acidente envolvendo o veículo autônomo
De acordo com informações da agência de segurança de trânsito dos Estados Unidos, a criança atravessou a rua correndo em direção à escola, surgindo de forma repentina por trás de um SUV que estava estacionado em fila dupla. O atropelamento ocorreu precisamente durante o horário de entrada e saída dos alunos, um período conhecido por seu alto fluxo de pedestres e veículos. A agência destacou que, no local, havia outras crianças, um guarda de trânsito e diversos veículos estacionados irregularmente em fila dupla, o que pode ter contribuído para a redução da visibilidade.
A Waymo, por sua vez, descreveu que a criança entrou repentinamente na via por trás de um SUV alto, movendo-se diretamente para a trajetória do veículo. A empresa assegurou que o carro autônomo identificou a criança assim que ela apareceu e reduziu a velocidade de aproximadamente 27 quilômetros por hora para menos de 10 quilômetros por hora antes do impacto. Curiosamente, a Waymo mencionou que simulações internas indicam que um motorista humano totalmente atento, nas mesmas condições, teria atingido o pedestre a cerca de 22 quilômetros por hora.
Sequência dos eventos após a colisão do táxi-robô
Após a colisão, conforme relatado pela empresa, a criança conseguiu se levantar e caminhou até a calçada. Imediatamente, a Waymo acionou o serviço de emergência 911. O veículo autônomo permaneceu parado no local e só foi liberado após a autorização da polícia. A NHTSA iniciou uma avaliação preliminar para verificar se o veículo operava com o nível de cautela adequado, especialmente considerando a proximidade com a escola e a presença de pedestres vulneráveis, como crianças. A agência afirmou que analisará o comportamento esperado do veículo em zonas escolares, incluindo o respeito aos limites de velocidade estabelecidos e a resposta da empresa após o impacto.
Outros incidentes envolvendo a Waymo ampliam as preocupações
No mesmo dia do atropelamento na Califórnia, o NTSB abriu outra investigação relacionada à Waymo, desta vez envolvendo robôs-táxi da empresa que ultrapassaram ônibus escolares parados em Austin, no Texas. Essas ultrapassagens ocorreram pelo menos 19 vezes desde o início do ano letivo, levantando sérias questões sobre a segurança perto de instituições de ensino. Em dezembro, a Waymo havia realizado um recall de mais de 3 mil veículos para atualizar o software que permitia ultrapassagens indevidas de ônibus escolares durante o embarque e desembarque de alunos, uma situação que aumenta significativamente o risco de acidentes.
A NHTSA já havia aberto uma investigação sobre esse tema específico em outubro. A Waymo afirmou que não houve colisões nesses casos de ultrapassagem, mas o Distrito Escolar Independente de Austin informou que cinco incidentes ocorreram em novembro, mesmo após as atualizações de software. O sistema escolar chegou a solicitar que a empresa suspendesse as operações perto das escolas nos horários de pico, mas, segundo relatos à Reuters, a Waymo recusou o pedido.
Contexto político e regulatório dos carros autônomos nos EUA
Este caso reacendeu as preocupações sobre a segurança dos táxis-robôs, cujo número vem crescendo de forma constante nos Estados Unidos. O Comitê de Comércio do Senado americano já havia marcado para o dia 4 de fevereiro uma audiência sobre carros autônomos, com a participação prevista do diretor de segurança da Waymo, Mauricio Peña. O incidente recente provavelmente adicionará urgência aos debates legislativos e regulatórios, pressionando por normas mais rigorosas e testes mais abrangentes antes da expansão dessas tecnologias.
As investigações em andamento poderão resultar em novas diretrizes para a operação de veículos autônomos, especialmente em áreas sensíveis como zonas escolares, onde a presença de pedestres jovens exige níveis elevados de precaução. Enquanto isso, a sociedade acompanha com atenção os desdobramentos, ponderando os benefícios da inovação tecnológica contra os imperativos de segurança pública.