Mercado de suplementos para engravidar explora vulnerabilidade de casais tentantes
Suplementos para engravidar exploram vulnerabilidade de casais

Mercado perigoso de suplementos mira vulnerabilidade de casais tentantes

Em um cenário onde 1 em cada 6 casais enfrenta dificuldades para engravidar ou levar uma gravidez a termo, conforme dados da Organização Mundial da Saúde, surge um mercado preocupante de produtos que exploram essa vulnerabilidade emocional. Suplementos alimentares e vitaminas são vendidos livremente com promessas não comprovadas de cura, tratamento ou prevenção da infertilidade, representando um risco significativo para a saúde reprodutiva.

Os perigos das falsas promessas

O ginecologista obstetra Rodrigo Rosa, especialista em Reprodução Humana, alerta que a infertilidade é um problema complexo que exige diagnóstico médico especializado. "Apenas ingerir suplementos pode representar múltiplos riscos", explica o médico, destacando:

  • Perda de tempo valioso (e tempo é óvulo)
  • Gastos financeiros desnecessários
  • Riscos à saúde por excesso de vitaminas
  • Atraso no tratamento adequado

Segundo a legislação brasileira, qualquer produto que alegue prevenir, tratar ou curar infertilidade se caracteriza como medicamento e deve ser aprovado pela ANVISA antes da comercialização. Suplementos com tais alegações não regulamentadas podem dissuadir pacientes de buscarem atendimento médico especializado e tratamentos comprovadamente eficazes.

As verdadeiras causas da infertilidade

A infertilidade pode afetar tanto homens quanto mulheres e possui causas diversas que exigem investigação médica detalhada:

  1. Nas mulheres: A principal causa é a idade, com diminuição natural da quantidade e qualidade dos óvulos devido ao processo de envelhecimento
  2. Nos homens: Condições como varicocele (dilatação das veias dos testículos), infecções urogenitais e hipogonadismo (produção inadequada de testosterona)

Caminhos médicos para o tratamento

O médico especialista realiza uma extensa investigação para identificar a causa específica e indicar o tratamento mais adequado. As opções incluem:

Medicamentos: Como gonadotrofinas (hormônios injetáveis) para estimular a fertilidade feminina ou medicamentos para aumentar a produção de espermatozoides

Procedimentos cirúrgicos: Em casos específicos com indicação precisa

Tecnologias de reprodução assistida: Que se mostram necessárias em muitos casos:

  • Inseminação Intrauterina: Esperma colocado diretamente no útero durante o período de ovulação
  • Fertilização In Vitro (FIV): Óvulo fertilizado com espermatozoide fora do corpo, com embrião transferido posteriormente ao útero, apresentando taxa de sucesso de aproximadamente 60% por ciclo em mulheres com menos de 35 anos

A importância do diagnóstico precoce

O especialista enfatiza que quanto antes um casal buscar ajuda médica, maiores serão as chances de tratamento bem-sucedido. A primeira atitude deve ser sempre consultar um médico especialista, que poderá prescrever suplementos e vitaminas quando necessário, além de orientar sobre mudanças no estilo de vida e solicitar exames específicos.

"Uma das melhores maneiras de se proteger de tratamentos falsos é questionar se uma alegação parece boa demais para ser verdade", aconselha Rodrigo Rosa, que é sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime em São Paulo, membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.

A busca por orientação médica qualificada representa o caminho mais seguro para casais que enfrentam desafios na jornada reprodutiva, evitando os riscos de um mercado não regulamentado que explora esperanças e vulnerabilidades.