Adoções no RN crescem 18,4% em 2025; veja perfil das crianças e desafios
Adoções no RN sobem 18,4% em 2025; saiba como adotar

Adoções no Rio Grande do Norte registram crescimento expressivo em 2025

O número de adoções no Rio Grande do Norte apresentou um aumento significativo de 18,4% no ano de 2025 em comparação com o período anterior. Os dados oficiais, divulgados pela Coordenadoria Estadual da Infância e da Juventude (CEIJ) do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), mostram que foram registradas 77 adoções em 2025, contra 65 adoções em 2024.

As informações são baseadas no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), uma plataforma criada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para centralizar e monitorar processos de adoção em todo o país.

Aumento mensal e fatores que impulsionaram as adoções

Além do crescimento anual, o TJRN destacou um aumento mensal consistente. Em 2025, a média mensal de adoções foi de 6,41 casos, enquanto em 2024 a média ficou em 5,41 adoções por mês.

Para o juiz José Dantas de Paiva, coordenador Estadual da Infância e Juventude, esse crescimento está diretamente ligado a uma série de iniciativas e fatores estratégicos. "Os meios de articulação com a sociedade civil organizada e a rede de proteção, a realização da Semana da Adoção, além dos cursos ofertados para os pretendentes à adoção", explicou o magistrado, ressaltando a importância dessas ações para sensibilizar e preparar famílias interessadas.

Perfil das crianças e adolescentes acolhidos no estado

De acordo com os dados mais recentes da CEIJ, referentes a janeiro deste ano, o Rio Grande do Norte conta com:

  • 243 crianças e adolescentes acolhidos no sistema;
  • Desse total, 52 estão aptos para adoção;
  • E 48 já estão em processo de adoção.

As estatísticas revelam ainda características importantes sobre o perfil étnico-racial dessas crianças:

  • 57,4% são predominantemente pardos;
  • 10% são brancos;
  • 5,6% pretos;
  • 26,1% não tiveram a informação registrada.

Em relação ao gênero, a maioria dos acolhidos são do sexo feminino:

  • 51,2% são do gênero feminino;
  • 48,8% são do gênero masculino.

Desafios persistentes no processo de adoção potiguar

O TJRN identificou desafios significativos que ainda precisam ser superados. Mais de 130 crianças e adolescentes aptos para adoção no RN fazem parte de grupos de irmãos, e mais de 200 acolhidos estão na faixa etária acima de dois anos de idade.

"Portanto, a sensibilização em relação à adoção de grupos de irmãos e de crianças mais velhas e adolescentes deve fazer parte das estratégias da CEIJ", informou o tribunal, destacando que os pretendentes geralmente buscam crianças pequenas e sem irmãos, enquanto o perfil predominante dos acolhidos no estado é justamente o oposto.

O juiz José Dantas de Paiva reforçou essa necessidade: "Os desafios ainda são os mesmos, de sempre. Para isso, se faz necessário conscientizar a sociedade das adoções necessárias, que são as adoções tardias (crianças em faixa etária acima de dois anos de idade, interraciais, grupos de irmãos, e de crianças ou adolescentes com algum tipo de deficiência".

Perspectivas de diversidade e planos para 2026

Apesar dos desafios, há sinais positivos. Segundo o TJRN, a diversidade tem ganhado maior aceitação entre os pretendentes ativos, embora o padrão de base ainda seja considerado restritivo. Representantes da CEIJ observam uma tendência de abertura gradual, especialmente para perfis historicamente mais rejeitados.

Para 2026, a Coordenadoria Estadual da Infância e da Juventude já traçou seus próximos passos:

  1. Organização da XII Semana Estadual da Adoção;
  2. Realização de um encontro entre pretendentes e acolhidos;
  3. Formação de pelo menos oito turmas de preparação psicossocial e jurídica para adoção;
  4. Oferta de três turmas de capacitação sobre adoção para magistrados, servidores das unidades judiciárias e equipe técnica da infância e juventude.

Essas iniciativas buscam não apenas manter o crescimento observado em 2025, mas também enfrentar os desafios estruturais que ainda dificultam a adoção de muitas crianças e adolescentes potiguares que aguardam por uma família.