O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, tomou uma decisão que altera o fluxo das investigações sobre um dos maiores escândalos financeiros do país. Nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, ele determinou que a Polícia Federal entregue diretamente à Procuradoria-Geral da República (PGR) todas as provas e materiais apreendidos na operação que mira envolvidos em fraudes no Banco Master.
Pedido do Procurador-Geral é atendido
A medida foi um atendimento direto a um pedido formal do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Toffoli destacou em seu despacho que a providência solicitada permitirá que o órgão acusador, que é o destinatário final do material probatório, tenha uma visão sistêmica e completa dos supostos crimes de grandes proporções identificados até o momento.
Com a decisão, a PGR terá acesso aos elementos colhidos pela força-tarefa da PF antes mesmo dos próprios investigadores federais concluírem a análise preliminar, em um movimento que acelera o processo de acusação.
Escopo da investigação se amplia para crimes no mercado de capitais
O ministro justificou a decisão com a gravidade e a amplitude dos novos fatos descobertos. A operação desta quarta-feira revelou que o esquema criminoso é muito mais extenso do que se imaginava, indo além da fraude de 12 bilhões de reais inicialmente investigada contra o Banco Regional de Brasília (BRB).
Segundo Toffoli, as investigações passaram a abranger um quadro de gestão fraudulenta, desvio de valores e lavagem de dinheiro operado pelo Banco Master, com suposto aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização.
“A presente investigação possui escopo mais amplo e não se confunde com os inquéritos anteriormente instaurados”, afirmou o ministro em seu despacho, ressaltando a descoberta de que fundos eram operados para essas finalidades ilícitas.
Implicações e próximos passos
A decisão de Toffoli tem impacto direto na dinâmica entre a Polícia Federal, que conduz as investigações, e a Procuradoria-Geral, responsável pela ação penal. O envio direto do material busca agilizar a construção da acusação pelo Ministério Público Federal em um caso de extrema complexidade e volume de dados.
O caso, que começou com foco em um prejuízo bilionário ao BRB, transformou-se em uma investigação de proporções nacionais sobre o sistema financeiro, envolvendo suspeitas de crimes contra o mercado de capitais. A expectativa é que a PGR, com o material em mãos, defina rapidamente os rumos da ação penal contra os investigados.
A operação policial que deu origem à decisão judicial ocorreu nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, e faz parte de uma série de desdobramentos das investigações sobre o Banco Master.