Senado dos EUA pode limitar ações militares de Trump na Venezuela
Resolução no Senado dos EUA visa limitar Trump na Venezuela

O cenário político norte-americano testemunha um movimento significativo para conter possíveis ações militares unilaterais na América do Sul. Uma resolução em tramitação no Senado dos Estados Unidos tem como objetivo principal limitar os poderes do ex-presidente Donald Trump para iniciar novas operações armadas contra a Venezuela sem uma autorização explícita do Congresso.

O contexto e a origem da proposta

A resolução não é uma reação imediata aos eventos recentes, mas uma medida preventiva que já estava em discussão. Ela foi apresentada em 16 de outubro de 2025 pelo senador democrata Tim Kaine. O projeto de lei está atualmente em fase de votação na Comissão de Relações Exteriores da casa.

Segundo a doutora em Direito e membro da Academia Suíça de Direito Internacional, Clarita Maia, a proposta já tinha como meta clara frear qualquer pretensão armada de Trump na região. “Ela foi uma resolução apresentada em outubro do ano passado por um senador democrata, Tim Kaine, que já tinha como objetivo limitar qualquer tipo de pretensão armada de Trump na América do Sul, especificamente na Venezuela”, explicou a especialista em entrevista ao Conexão Record News.

Pressão política e apoio bipartidário

O ambiente político se tornou mais tenso após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro. O episódio levou parlamentares, incluindo alguns do Partido Republicano, a acusarem o governo americano de ter enganado o Congresso sobre a natureza e o escopo das operações.

Apesar de os republicanos, partido de Trump, deterem a maioria no Senado, há indícios de que a resolução pode contar com apoio cruzado. Fontes ouvidas pela agência Reuters indicam que pelo menos dois senadores republicanos estão inclinados a votar a favor da medida limitadora. Essa divisão interna destaca a preocupação de alguns membros do partido com a expansão do poder executivo em questões de guerra.

Objetivos e implicações da medida

O texto da resolução busca reafirmar a autoridade constitucional do Congresso sobre declarações de guerra e uso da força militar. Clarita Maia reforçou que a intenção é estabelecer um freio institucional. “E o que se pretende com essa resolução é, sim, limitar o poder de novas investidas, já que uma já foi realizada, novas investidas militares norte-americanas na Venezuela”, completou a especialista.

Se aprovada, a medida representaria um importante controle legislativo sobre a política externa dos Estados Unidos em relação à Venezuela, especialmente em um contexto de instabilidade regional. Ela também sinalizaria um raro momento de convergência entre democratas e um setor do Partido Republicano em um tema de segurança nacional.

A análise e votação da resolução são acompanhadas de perto por observadores internacionais, pois seu resultado pode definir os rumos do envolvimento militar dos EUA na América do Sul nos próximos anos.