Blitz aérea: FAB intercepta avião dos Bombeiros de RO em voo médico
FAB intercepta avião dos Bombeiros em voo médico

Uma aeronave do Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia, que realizava um transporte aeromédico de urgência, foi alvo de uma interceptação por um caça da Força Aérea Brasileira (FAB) na tarde da última terça-feira, 13 de agosto. O momento, registrado em vídeo pelo próprio piloto bombeiro, mostra a aproximação do jato militar durante o voo que levava um paciente de Porto Velho para o Paraná.

Procedimento de rotina em pleno voo

O piloto e bombeiro João Cordeiro foi quem filmou a aproximação do caça. Ele relata que, apesar da imagem causar estranheza, a ação é um procedimento padrão e seguro de controle do espaço aéreo. "Eles chegam perto, se identificam e pedem informações: de onde decolei, para onde vou, qual é a missão, o tipo de voo, o nome do comandante e o código da ANAC. É um procedimento normal", explicou Cordeiro ao g1.

Segundo o experiente piloto, o caça se posiciona de forma bem visível para indicar a frequência de rádio de emergência a ser usada. A partir desse contato visual, inicia-se a troca de informações entre as aeronaves. "Já passei por isso mais de dez vezes. Passageiros costumam se assustar, mas nesse caso não houve problema. O paciente estava deitado na maca e nem percebeu a aproximação", completou.

Missão de vida em meio à operação de defesa

A missão do avião dos Bombeiros naquele dia era de extrema importância: transportar um paciente para realizar uma cirurgia cardíaca de alta complexidade em Arapongas, no Paraná. Esse tipo de transporte aeromédico é frequente, graças a uma parceria entre o Corpo de Bombeiros e a Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia (Sesau).

A interceptação, portanto, ocorreu durante uma missão humanitária, mas não interferiu em seu cumprimento. O procedimento faz parte das medidas de policiamento aeroespacial que se aplicam a qualquer aeronave que sobrevoa o território nacional.

Como funciona a "blitz" nos céus do Brasil

Em nota enviada ao g1, a Força Aérea Brasileira detalhou o protocolo. A interceptação segue um processo rigoroso que se inicia com a detecção de uma aeronave não identificada ou considerada suspeita dentro da Zona de Identificação de Defesa Aérea (ZIDA).

O controle de tráfego aéreo, seja civil ou militar, tenta então estabelecer comunicação por rádio para determinar a identidade e as intenções da aeronave. Se não houver resposta, ou se a resposta for considerada insatisfatória, a FAB aciona seus caças interceptadores para uma identificação visual.

A FAB ressaltou que todas as aeronaves em voo no espaço aéreo brasileiro estão sujeitas a essas medidas, independentemente de sua rota, altitude, desempenho ou proprietário. O Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) é o órgão responsável por planejar, coordenar e executar essas ações de controle aeroespacial.

O episódio, emboto impressionante para quem o presencia pela primeira vez, é uma demonstração de rotina dos mecanismos de soberania e segurança que operam 24 horas por dia nos céus do país.