Oposição pressiona por sessão extraordinária para veto da Dosimetria
Oposição quer sessão extraordinária para veto da Dosimetria

O cenário político em Brasília ganhou um novo capítulo após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetar integralmente o Projeto de Lei da Dosimetria. Em resposta, a oposição ao governo federal anunciou que vai pressionar pela convocação de uma sessão extraordinária ainda no mês de janeiro. O objetivo é que a análise do veto presidencial ocorra no menor tempo possível.

Estratégia da oposição e calendário realista

Apesar da mobilização imediata, os próprios parlamentares de oposição reconhecem que a iniciativa tem, neste momento, um caráter mais político do que prático. A avaliação predominante é que o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, só deve convocar as sessões para análise de vetos após o fim do recesso parlamentar, com a retomada oficial dos trabalhos legislativos em fevereiro.

O líder do PL na Câmara dos Deputados, deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), foi direto ao ponto ao comentar o calendário. Em declarações ao Radar, ele afirmou: “Vamos pedir, mas entendemos que a derrubada será em fevereiro ou no máximo início de março”. A declaração explicita a expectativa realista dos opositores sobre o andamento do processo.

Mobilização nos bastidores para derrubada do veto

Enquanto aguardam a data definitiva para a votação, os partidos de oposição já começam a articular suas bancadas. O plano é mobilizar deputados e senadores para assegurar uma derrubada tranquila e segura da decisão tomada pelo Palácio do Planalto. A articulação ocorre tanto na Câmara quanto no Senado Federal, buscando construir os números necessários para rejeitar o veto de Lula.

Do outro lado do embate, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, sinaliza que os aliados do governo também se movimentarão. A base governista tentará garantir a manutenção do veto, contando com o apoio dos parlamentares. Há uma esperança, dentro do Planalto, de que os senadores possam ser decisivos para esse desfecho.

Expectativas e clima político

No centro do poder executivo, a avaliação é de que o veto não pegou ninguém de surpresa. A justificativa é que o próprio presidente Lula já havia sinalizado, durante a tramitação do texto no Congresso, que tomaria essa medida. Por conta dessas sinalizações prévias, acredita-se no Planalto que a decisão não terá o poder de inflamar excessivamente os ânimos entre os Poderes, mantendo o debate em um patamar institucional.

O deputado Sóstenes Cavalcante também aproveitou para mencionar outro tema de interesse de sua bancada: a expectativa de que um projeto de anistia seja apresentado ainda neste semestre. O assunto, no entanto, é uma agenda separada do veto à lei da Dosimetria.

O desfecho dessa disputa agora depende do calendário do Congresso. A pressão por uma sessão extraordinária em janeiro marca posição, mas a batalha parlamentar de fato deve acontecer apenas a partir de fevereiro, quando a análise do veto colocará à prova a força da oposição e a capacidade de articulação do governo Lula.