STF suspende julgamento sobre eleição no Rio após pedido de vista de Flávio Dino
STF suspende julgamento sobre eleição no Rio após vista de Dino

STF suspende julgamento histórico sobre sucessão no governo do Rio de Janeiro

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista do julgamento das ações que discutem o formato da eleição para governador do Rio de Janeiro durante a sessão desta quinta-feira (9). A decisão interrompe temporariamente a análise do tema, que começou na quarta-feira (8) com os votos dos ministros Cristiano Zanin e Luiz Fux.

Divergência histórica no plenário do Supremo

O plenário do STF precisa decidir se a escolha do novo governador será feita pelo voto popular direto ou pela Assembleia Legislativa do estado, após a renúncia e cassação do mandato de Cláudio Castro (PL). As discussões chegaram ao Supremo por meio de ações apresentadas pelo PSD, colocando em xeque o futuro político do Rio de Janeiro.

No início do julgamento, os ministros ouviram os argumentos das partes antes da apresentação dos votos. Cristiano Zanin, primeiro a se manifestar, votou pela realização de eleição direta com participação da população. Já Luiz Fux divergiu completamente, defendendo a escolha indireta pelos deputados estaduais.

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Pontos técnicos em debate

Além do modelo eleitoral, os ministros analisam questões técnicas cruciais:

  • Validade da lei estadual que estabelece regras para eleição indireta
  • Prazo de desincompatibilização dos candidatos (24 horas, conforme concordaram Zanin e Fux)
  • Forma da votação na Assembleia (aberta ou secreta)

Zanin argumentou que a lei do Rio não se aplica ao caso de Cláudio Castro e que, quando utilizada, a votação deve ser aberta. Fux, por outro lado, considerou válida a previsão de voto secreto na legislação estadual.

Cenário político complexo no Rio

Atualmente, o governo do estado está sob responsabilidade do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto. Esta situação ocorreu após:

  1. Renúncia de Cláudio Castro em 23 de março
  2. Cassação do mandato pelo TSE no dia seguinte
  3. Declaração de inelegibilidade por oito anos

O Rio também está sem vice-governador desde maio de 2025, quando Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir vaga no TCE-RJ. Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa e na linha sucessória, também não pôde assumir após ter mandato cassado e ser preso novamente em março.

Impacto da decisão do STF

A decisão do Supremo definirá não apenas o processo eleitoral, mas estabelecerá precedentes importantes para situações similares em outros estados. Se optar pela via indireta, a Assembleia Legislativa elegeria um novo presidente que assumiria o governo de forma interina até a sucessão em 2027.

Com o pedido de vista de Flávio Dino, o julgamento ficará suspenso até que o ministro apresente seu voto, mantendo em suspense o futuro político do segundo maior colégio eleitoral do país. A sociedade carioca e brasileira aguarda com expectativa a definição sobre quem terá o poder de escolher seu próximo governador.

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