Conselheiro espiritual de Bolsonaro na prisão fala sobre saúde e cenário político para 2026
Em uma entrevista exclusiva, o bispo Robson Lemos Rodovalho, conselheiro espiritual do ex-presidente Jair Bolsonaro, revelou detalhes sobre a situação do político na prisão e analisou os possíveis cenários para as eleições de 2026. Rodovalho, fundador da igreja evangélica neopentecostal Sara Nossa Terra e ex-deputado federal, é um dos religiosos autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a visitar Bolsonaro na Papudinha, onde ele está detido desde 15 de janeiro.
Amizade de duas décadas e aconselhamento espiritual
Robson Rodovalho conheceu Bolsonaro quando ambos eram deputados federais, entre 2006 e 2010, e desde então mantêm uma amizade que se fortaleceu ao longo dos anos. Hoje, como conselheiro espiritual, ele tem a missão de fortalecer a fé do ex-presidente em um momento delicado. "Fui deputado com Bolsonaro de 2006 a 2010. Vinte anos", relembra o bispo, destacando a longevidade do relacionamento.
Nas conversas recentes, Rodovalho foca em aspectos emocionais e espirituais. "Fé, fortalecimento da fé, para que a fé levantada possa ajudar a mente. E a mente não ser uma mente derrotista, uma mente depressiva, uma mente que leve a pessoa a uma situação de completa desilusão, de desistência da vida", explica. Ele acrescenta que o objetivo é oferecer esperança e perspectiva de futuro, transmitindo a mensagem de que "sempre tem uma saída" e que "Deus vai encaminhar alguma coisa para ele".
Estado de saúde preocupante e visitas recentes
O bispo compartilhou observações sobre a saúde de Bolsonaro, baseadas em visitas anteriores. Em dezembro, ele descreveu o ex-presidente como "extremamente e preocupantemente debilitado", com dificuldades para dormir e se alimentar devido a soluços persistentes. "Ele estava sem dormir a noite toda, sem comer nem café, nem almoço, porque o soluço o impedia. Tomava um remédio muito forte para controlar o soluço, o que o deixava sonolento. Era até difícil estabelecer diálogo naquele tempo", relatou.
Atualmente, Rodovalho aguarda um contato do coronel responsável pela Papudinha para ajustar detalhes de novas visitas, mas ainda não teve acesso recente ao ex-presidente para uma avaliação atualizada.
Cenário político para 2026: Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas
Além do aspecto espiritual, o bispo também comentou sobre o cenário político brasileiro, especialmente em relação às eleições presidenciais de 2026. Ele considera viável a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas ressalta os desafios. "Se ele tem uma candidatura bem-sucedida, acho que é possível se construir isso. Sem dúvidas. Agora, não é tão fácil quanto seria com o presidente Bolsonaro, que já tem uma aceitação", analisa.
Rodovalho também mencionou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como uma figura competitiva. "Por ser governador de um estado do tamanho de São Paulo e por estar pontuando razoavelmente bem nas pesquisas, ele é competitivo. As duas pessoas mais competitivas são ele e o Flávio. Qualquer um dos dois é bastante competitivo", afirmou.
Ele destacou a importância da união do segmento político e acredita que Tarcísio seria um grande nome se Flávio não concorrer. "Se Flávio sair, Tarcísio será um grande nome. Precisamos trabalhar para unir o segmento", disse, acrescentando que, pelo que entende, Tarcísio não entraria em um embate direto contra Flávio, mas poderia ser uma opção consensual.
Envolvimento eleitoral e futuro pessoal
Questionado sobre seu papel nas eleições de 2026, Robson Rodovalho expressou disposição para ajudar, mas sem planos de retornar à política ativa. "Estou empenhado em ajudar na eleição. Estou empenhado em ajudar do ponto de vista de facilitar, especialmente no nosso segmento, quem for definido", declarou. No entanto, ele descartou a possibilidade de se candidatar novamente, enfatizando seu compromisso com a missão religiosa. "Não, acho que não. Eu tenho uma missão muito forte aqui fora, muito grande. O mandato, em específico, não cabe na minha vida mais", concluiu, deixando claro que seu foco permanece no trabalho espiritual e no aconselhamento.