Um levantamento realizado pela Folha de S.Paulo traça um panorama detalhado das intenções dos atuais senadores para as eleições de outubro de 2026. Na ocasião, serão disputadas 54 cadeiras do Senado, o equivalente a dois terços do total de 81. O cenário mostra uma corrida eleitoral que pode redefinir o equilíbrio de poder na Casa, com reflexos diretos na relação entre os Poderes.
Quem fica, quem sai e quem mira outros cargos
De acordo com o mapeamento, que considerou informações oficiais até 12 de dezembro, 33 senadores declararam que devem tentar a reeleição. Outros 12 afirmam que seu futuro político ainda está indefinido. Entre os que não permanecerão no cargo, seis disseram que não disputarão as próximas eleições, um tentará uma vaga de deputado estadual e outro busca o governo de seu estado.
Um caso à parte é o do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que lançou sua pré-candidatura à Presidência da República. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), está entre os que não pretendem se candidatar em 2026, mas seu mandato como senador segue até 2031.
O levantamento também identificou movimentos para cargos no Executivo estadual. Dez senadores são pré-candidatos a governador, sendo que nove deles estão no meio do mandato no Senado, que tem oito anos de duração. Essa característica permite candidaturas mais arriscadas, pois o parlamentar que perder a corrida ao governo estadual ainda terá mais quatro anos de mandato no Legislativo federal. O único pré-candidato a governador que está no fim do mandato como senador é Eduardo Girão (Novo-CE).
A batalha pelo Senado e o plano de pressão sobre o STF
A disputa pelas vagas no Senado ganhou uma importância estratégica extra nos últimos anos, diretamente ligada ao plano de setores bolsonaristas de aumentar a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF). A corte impôs derrotas significativas a esse grupo, incluindo a condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de aliados nos processos sobre atos golpistas.
O controle da Casa é fundamental para esses planos porque o Senado é a instância com poder para destituir ministros do STF por meio de processos de impeachment. Caso elejam senadores em número suficiente em 2026, setores bolsonaristas poderiam promover esse tipo de ação. O principal alvo do grupo no Supremo é o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que levou à condenação de Bolsonaro.
Aposentadorias e candidaturas a cargos menores
O levantamento aponta uma possível renovação com a saída de nomes veteranos. Dos 81 senadores, 22 afirmam que não serão candidatos em 2026. Entre os que estão no fim do mandato e anunciaram a aposentadoria das disputas eleitorais estão figuras históricas: Cid Gomes (PSB-CE), 62 anos; Jader Barbalho (MDB-PA), 81 anos; Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), 80 anos; e Paulo Paim (PT-RS), 75 anos.
A lista de aposentadorias pode aumentar. Confúcio Moura (MDB-RO) ainda não decidiu seu futuro, e Jorge Kajuru (PSB-GO) avalia retornar aos programas de televisão. Além disso, duas senadoras planejam concorrer a cargos menores: Mara Gabrilli (PSD-SP) é pré-candidata a deputada estadual, e Augusta Brito (PT-CE), suplente, quer uma vaga na Câmara dos Deputados.
Outros casos específicos ilustram estratégias políticas familiares ou de aliança. A senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), por exemplo, decidiu não tentar a reeleição para apoiar a provável candidatura de seu filho, o vice-governador Lucas Ribeiro (PP), ao governo da Paraíba. Já José Lacerda (PSD-MT), que exerce mandato como suplente, não disputará a eleição para apoiar o ministro Carlos Fávaro, que busca retornar ao Senado.
Os dados coletados pela reportagem foram obtidos com base em informações oficiais de cada senador, por meio de suas assessorias de imprensa, dos próprios parlamentares ou de declarações públicas.