Zelensky afirma que acordo de paz com Rússia está 90% pronto em reunião histórica
Zelensky diz que acordo de paz com Rússia está 90% pronto

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fez uma declaração impactante nesta sexta-feira (23), afirmando que o acordo de paz com a Rússia está 90% pronto. A revelação ocorre no momento em que Estados Unidos, Ucrânia e Rússia iniciam a primeira reunião trilateral para negociar o fim da guerra, que está prestes a completar quatro anos de conflito.

Encontro histórico em Abu Dhabi

A cúpula em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, representa um marco diplomático significativo, pois é a primeira vez desde o início da guerra que os três países se sentam juntos para discutir a paz. As negociações se estendem até sábado e contam com os Estados Unidos assumindo o papel de mediador principal, sob a liderança do presidente Donald Trump.

Donbas como questão central

Em coletiva de imprensa on-line, Zelensky deixou claro que o controle territorial da região de Donbas, no leste da Ucrânia, será o ponto focal das discussões. "O Donbas é uma questão central. Ele será discutido no formato que as três partes considerarem adequado em Abu Dhabi, hoje e amanhã", declarou o líder ucraniano.

No entanto, as posições permanecem distantes. Horas antes do encontro, a Rússia reiterou sua exigência pela anexação completa de Donbas. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, afirmou que as tropas ucranianas devem se retirar da região como condição essencial para que Vladimir Putin aceite finalizar a guerra. "É bem conhecido que a posição da Rússia é que a Ucrânia e as Forças Armadas ucranianas devem deixar Donbas. Esta é uma condição muito importante", reforçou Peskov.

Documentos quase finalizados

Zelensky revelou em um post na rede social X que as negociações sobre garantias de segurança que os EUA proverão à Ucrânia no pós-guerra foram concluídas durante um encontro com Donald Trump às margens do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. A reunião, descrita como "muito boa" pelos norte-americanos, durou cerca de uma hora e abordou o fornecimento de equipamentos de defesa aérea e o progresso nas negociações de paz.

Com esses avanços, o presidente ucraniano afirmou que os documentos para encerrar o conflito estão quase prontos. "Os russos devem estar preparados para chegar a compromissos", alertou Zelensky, enquanto a Rússia demonstra nas últimas semanas disposição para finalizar a guerra, desde que seja sob seus próprios termos.

Diplomacia paralela em Moscou

Enquanto isso, em Moscou, o enviado especial de Trump para a guerra da Ucrânia, Steve Witkoff, se reuniu com Vladimir Putin na noite de quinta-feira. As conversas tiveram como objetivo acelerar as negociações para pôr fim ao conflito. Witkoff indicou que um acordo pode estar próximo, afirmando que "falta apenas uma questão entre Ucrânia e Rússia" para ser resolvida, embora não tenha fornecido detalhes específicos.

Trump também expressou otimismo, sugerindo que as negociações podem ter avançado significativamente. "Terminamos com oito guerras, e acredito que o fim de outra esteja vindo muito em breve", declarou o presidente norte-americano, que já fez afirmações similares em ocasiões anteriores.

Críticas à Europa e acusações à Rússia

Zelensky seguiu a linha de Trump ao criticar aliados europeus por sua inação diante do conflito. "A Europa continua sendo um caleidoscópio fragmentado de pequenas e médias potências. O problema é a mentalidade. Só ações criam uma ordem real", argumentou o líder ucraniano, enfatizando que a Europa precisa da independência da Ucrânia para se defender no futuro.

Além disso, Zelensky acusou a Rússia de tentar "congelar os ucranianos até a morte", em referência aos diários ataques russos contra a infraestrutura energética do país, que têm causado sérios problemas durante o inverno.

Embora os detalhes completos das negociações em Abu Dhabi ainda não tenham sido divulgados, sabe-se que, em um primeiro momento, o encontro não envolve os líderes máximos dos três países. A Ucrânia mantém sua posição de que é inaceitável ceder à Rússia territórios que ainda estão sob seu controle, enquanto a comunidade internacional acompanha com expectativa esses desenvolvimentos diplomáticos que podem finalmente trazer paz a uma região devastada por anos de conflito.