União Europeia avança para classificar Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista
A União Europeia iniciou nesta quinta-feira discussões cruciais sobre a possibilidade de designar a Guarda Revolucionária do Irã como uma organização terrorista, acompanhadas pelo anúncio de um novo pacote de sanções contra Teerã. A sinalização foi realizada pela chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, pouco antes da reunião dos ministros das Relações Exteriores em Bruxelas, marcando um momento decisivo nas relações entre a UE e o regime iraniano.
Consenso europeu e justificativas para a medida
Segundo Kallas, existe uma expectativa otimista de que os países membros alcancem um consenso unânime para incluir a força militar iraniana na lista oficial de grupos terroristas da União Europeia. Caso a medida seja aprovada, a Guarda Revolucionária passaria a ser tratada no mesmo patamar de organizações notórias como Al-Qaeda, Hamas e Estado Islâmico, com todas as implicações legais e políticas que essa classificação acarreta.
Para a diplomata estoniana, a lógica por trás da decisão é direta e clara: quem age como terrorista deve ser tratado como tal. Ela enfatizou que a decisão está intrinsecamente ligada à repressão violenta dos protestos recentes no Irã, conduzida pelo regime com o apoio ativo da Guarda Revolucionária. De acordo com Kallas, a dimensão da violência e os métodos brutais empregados contra manifestantes civis justificam plenamente uma resposta firme e contundente por parte do bloco europeu.
Riscos diplomáticos e foco das sanções
Questionada sobre preocupações levantadas por alguns países europeus de que a classificação possa prejudicar o funcionamento das embaixadas da UE em território iraniano, Kallas afirmou que todos os riscos potenciais foram minuciosamente avaliados durante os preparativos. Ainda assim, ela destacou a expectativa de que os canais diplomáticos permaneçam abertos e funcionais mesmo após uma eventual designação formal da Guarda Revolucionária como organização terrorista.
Em relação ao novo pacote de sanções, a chefe da diplomacia europeia explicou que o foco principal recairá sobre indivíduos e entidades considerados diretamente responsáveis por atos de violência contra a população civil iraniana. Embora os nomes específicos ainda não tenham sido detalhados publicamente, a medida visa aumentar a pressão sobre figuras-chave do aparato repressivo.
Contexto internacional e posição sobre a Ucrânia
Durante sua conversa com jornalistas, Kallas também abordou outros temas urgentes da agenda internacional. Ao ser questionada sobre relatos de que os Estados Unidos teriam condicionado garantias de segurança à Ucrânia à cessão da região do Donbass à Rússia, ela afirmou categoricamente que Kiev já fez concessões significativas e que a pressão deveria recair exclusivamente sobre Moscou.
Para a diplomata, garantir segurança concreta e duradoura à Ucrânia continua sendo uma prioridade máxima para a União Europeia. Além das questões relacionadas ao Irã, os ministros europeus devem discutir durante a reunião novas sanções contra a Rússia e analisar crises humanitárias e políticas em regiões como Síria, Palestina e República Democrática do Congo.
Dados alarmantes e reação iraniana
Dados recentes divulgados pela ONG Human Rights Activists News Agency revelam números alarmantes: mais de 6.200 pessoas morreram durante os protestos no Irã, com investigações em andamento sobre outras milhares de mortes potenciais e mais de 42 mil detenções registradas. Estas estatísticas sombrias reforçam os argumentos europeus para uma ação decisiva.
O governo iraniano já advertiu publicamente que a medida europeia, se confirmada, poderá ter consequências destrutivas para as relações bilaterais entre Teerã e o bloco. A decisão final exige unanimidade entre todos os Estados-membros da UE, e países como França e Itália, que anteriormente demonstravam reticências, passaram recentemente a admitir abertamente a possibilidade da classificação.
Trump avalia opções militares enquanto tensão com Irã aumenta
Enquanto a União Europeia avança no campo das sanções diplomáticas e econômicas, a escalada de tensões também voltou ao centro das discussões em Washington. Segundo reportagens da CNN, o presidente Donald Trump está avaliando ativamente novas opções militares contra o Irã, diante do impasse persistente nas negociações sobre o programa nuclear iraniano e a produção de mísseis balísticos.
Cenários bélicos em análise
Fontes ouvidas pela emissora norte-americana afirmam que as conversas diplomáticas não avançaram significativamente nos últimos meses, o que reforçou internamente a defesa de uma resposta mais dura e militarizada. Na terça-feira, Trump cobrou publicamente que Teerã aceite negociar, através de uma publicação na plataforma Truth Social.
Na mensagem, o presidente advertiu que uma eventual nova ofensiva americana teria impacto consideravelmente maior do que o ataque do verão passado, quando três instalações nucleares iranianas foram atingidas por forças dos Estados Unidos. De acordo com a CNN, entre os cenários bélicos em análise estão:
- Ataques aéreos pontuais contra lideranças iranianas
- Ações diretas contra autoridades de segurança ligadas à repressão interna
- Ofensivas contra estruturas estratégicas do governo e do setor nuclear
Movimentações militares e retórica inflamada
Auxiliares da Casa Branca ressaltam que nenhuma decisão final foi tomada, mas indicam claramente que Trump considera o contexto militar mais favorável neste momento específico. Essa avaliação ganhou força adicional após o deslocamento do grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Oceano Índico, movimento interpretado amplamente como um sinal de pressão militar sobre o Irã.
Do lado iraniano, o líder supremo Ali Khamenei voltou a condenar veementemente os protestos internos e defendeu uma repressão severa, atribuindo parte da responsabilidade pelas mortes a Trump e prometendo não perdoar opositores internos nem o que classificou como criminosos internacionais. A retórica inflamada de ambos os lados sugere um período de tensão elevada e imprevisibilidade nas relações entre Washington e Teerã.
O presidente norte-americano chegou a afirmar que uma enorme armada está a caminho do Irã, destacando que a operação liderada pelo USS Abraham Lincoln é mais robusta que a utilizada anteriormente contra a Venezuela. Trump condicionou explicitamente qualquer negociação futura ao recuo prévio de Teerã em suas políticas, enquanto o governo iraniano reage com críticas duras às ameaças provenientes de Washington.