O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou uma nova e significativa controvérsia internacional ao divulgar publicamente, na noite de segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, capturas de tela de supostas mensagens privadas trocadas com líderes europeus. O conteúdo gira em torno do persistente interesse de Trump em adquirir a Groenlândia, um tema que já causa atrito entre Washington e seus aliados.
Mensagens Privadas Expostas nas Redes Sociais
Em uma série de publicações em sua rede social, Trump compartilhou prints que, segundo ele, são de conversas com o presidente francês, Emmanuel Macron, e com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. A autenticidade da mensagem de Macron foi confirmada pela rede de televisão CNN.
Na conversa divulgada, o mandatário francês demonstra perplexidade com a postura americana. "Não entendo o que você está fazendo na Groenlândia", escreveu Macron, após destacar que ambos estavam alinhados em outras questões geopolíticas sensíveis, como Síria e Irã. Apesar do tom crítico, o líder europeu também estendeu um convite para um jantar em Paris e sugeriu uma reunião do G7 após o Fórum Econômico Mundial.
Já a mensagem atribuída a Mark Rutte apresentava um tom mais conciliador. O suposto texto do chefe da Otan elogiava Trump e afirmava estar "comprometido em encontrar uma solução para a questão da Groenlândia". Em um post anterior, o presidente americano havia mencionado um "ótimo telefonema" com Rutte sobre o assunto, com ambos concordando em discutir o tema com "as várias partes" durante o encontro em Davos, na Suíça.
Crise se Aprofunda às Vésperas de Davos
A divulgação das mensagens, vista como uma grave quebra de confidencialidade e etiqueta diplomática, ocorreu na véspera da viagem de Trump para a Suíça. O episódio jogou gasolina em uma disputa que já prometia ser um dos assuntos centrais do fórum.
Em meio à polêmica, Trump ainda direcionou críticas ao Reino Unido. Em outra publicação, ele atacou a decisão britânica de transferir o controle do Arquipélago de Chagos para as Ilhas Maurício, embora mantendo a base militar conjunta EUA-Reino Unido em Diego Garcia. Trump classificou o movimento como "um ato de GRANDE ESTUPIDEZ" e, de forma reveladora, usou o caso para justificar sua ambição pela Groenlândia. Para ele, a ação britânica seria "mais uma em uma longa lista de razões de Segurança Nacional pelas quais a Groenlândia precisa ser adquirida".
Reações e o Cenário em Davos
A tempestade política criada por Trump já ecoa nos corredores de Davos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, revelou na segunda-feira que já havia discutido a escalada da rixa entre Estados Unidos e Europa com uma delegação do Congresso americano presente no fórum. Em suas declarações, von der Leyen reafirmou a soberania da Dinamarca sobre a Groenlândia, deixando claro o apoio europeu a Copenhague.
O episódio coloca uma nuvem de desconfiança sobre os encontros bilaterais que Trump deve ter em Davos. A exposição de diálogos privados pode dificultar futuras conversas francas entre o líder americano e outros chefes de estado, que podem temer ver suas palavras publicadas nas redes sociais. A crise evidencia uma profunda fissura nas relações transatlânticas, com a questão da soberania da Groenlândia servindo como o epicentro de um terremoto diplomático.