Um encontro diplomático marcado para o Rio de Janeiro, na véspera da histórica assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, acirrou os ânimos entre Brasil e Argentina. O governo do presidente argentino, Javier Milei, classificou a agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com líderes europeus como um "desrespeito" aos parceiros do bloco.
Encontro no Rio gera tensão diplomática
Na sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, um dia antes da cerimônia oficial em Assunção, no Paraguai, o presidente Lula receberá no Rio de Janeiro a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. A reunião, que terá ampla cobertura fotográfica, é vista como uma celebração antecipada do acordo, após 25 anos de negociações complexas.
Embora o momento oficial de assinatura ocorra no Paraguai, país que preside o Mercosul atualmente, a iniciativa de Lula de promover um encontro paralelo no Brasil foi interpretada em Buenos Aires como uma manobra para capitalizar politicamente o feito. Uma fonte de alto escalão do governo Milei afirmou ao jornal La Nacion que a atitude é uma "falta de respeito com seus parceiros".
A posição argentina e os bastidores do acordo
A irritação argentina se intensifica pelo fato de o presidente brasileiro não comparecer ao evento em Assunção. Para o governo Milei, que também esperava obter ganhos políticos com a conclusão do tratado, a reunião no Rio ofusca a cerimônia oficial e centraliza os holofotes em Lula como o grande articulador do acordo.
Fontes do Itamaraty, no entanto, destacam que o encontro no Rio vai além da comemoração. Na pauta, além da celebração do acordo comercial histórico, está a discussão sobre uma mobilização internacional de países diante do avanço do ex-presidente norte-americano Donald Trump na Groenlândia, um tema geopolítico sensível.
Um marco após décadas de negociação
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia representa um dos maiores pactos comerciais do mundo. Sua conclusão, prevista para ser formalizada no sábado em território paraguaio, é o desfecho de uma longa novela que se estende por um quarto de século, envolvendo disputas sobre questões ambientais, tarifas e abertura de mercados.
O atrito gerado pelo encontro no Rio de Janeiro expõe as tensões políticas dentro do próprio bloco sul-americano, em um momento que deveria ser de união e celebração de um objetivo comum finalmente alcançado. O episódio deixa claro que, mesmo com o acordo comercial fechado, os alinhamentos e as disputas por protagonismo diplomático seguem ativos na região.