O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está próximo de definir o nome que irá assumir o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Segundo informações de membros do PT e pessoas próximas ao Palácio do Planalto, o favorito para a vaga deixada por Ricardo Lewandowski é Wellington César Lima e Silva, atual advogado-geral da Petrobras.
Pressa na definição para evitar desgaste
A expectativa é que Lula não demore para bater o martelo sobre a indicação. O objetivo é evitar um prolongado período de interinidade, que poderia gerar desgaste político. Atualmente, o cargo está sendo ocupado de forma interina por Manoel Carlos de Almeida Neto, que era o número dois na gestão de Lewandowski.
A escolha de Lima e Silva não é uma surpresa nos corredores do poder. Seu nome vem sendo fortemente defendido por duas figuras centrais do governo: o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner. Ambos são considerados parte do círculo mais íntimo de confiança do presidente Lula.
Trajetória de confiança nos governos petistas
Apesar de não ter a mesma notoriedade pública de seu antecessor, Wellington César Lima e Silva possui um longo histórico de atuação em cargos estratégicos ligados ao PT. Promotor de Justiça de carreira, ele já chegou a chefiar o Ministério Público do estado da Bahia.
No terceiro mandato do presidente Lula, ele assumiu a função de secretário de Assuntos Jurídicos, onde permaneceu por pouco mais de um ano. Embora discreto, este é um cargo de extrema relevância, pois dá acesso direto ao presidente e atua como um filtro para os temas jurídicos que chegam à mesa do chefe do Executivo.
Em julho de 2024, Lula demonstrou novamente sua confiança no profissional ao indicá-lo para o cargo de advogado-geral da Petrobras, uma das posições mais sensíveis da estatal.
Passagem breve e conturbada pela Justiça no governo Dilma
A experiência mais direta de Lima e Silva à frente do Ministério da Justiça aconteceu de forma breve e tumultuada. No final do governo de Dilma Rousseff, ele assumiu o cargo após a saída de José Eduardo Cardozo, que foi para a Advocacia-Geral da União (AGU).
Na ocasião, sua nomeação gerou um impasse com o Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte exigiu que ele se desincompatibilizasse completamente da carreira no Ministério Público baiano, optando pela exoneração em vez de apenas uma licença. O caso foi parar no STF, que, no final, decidiu pela exoneração de Lima e Silva do cargo ministerial.
Agora, com o apoio sólido de aliados poderosos e a confiança do presidente, Wellington César Lima e Silva se prepara para assumir, em caráter permanente, a pasta que já comandou de forma interina em um momento político delicado do passado.