Governo Trump recua e impõe câmeras corporais a todos os agentes de imigração dos EUA
Trump recua e impõe câmeras a agentes de imigração

O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira, 2 de março, uma medida significativa que representa mais um recuo em sua política de imigração. A partir de agora, todos os agentes de imigração terão que usar câmeras corporais durante suas atividades, uma decisão que surge após a morte de dois cidadãos americanos por policiais federais em abordagens controversas.

Expansão do programa e pressão política

A implementação dos equipamentos de gravação começará pela cidade de Minneapolis, local onde ocorreram os incidentes fatais envolvendo Renee Good e Alex Pretti. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, confirmou que, posteriormente, o programa será expandido para todo o território nacional. Congressistas tanto da oposição quanto do governo vinham pressionando a Casa Branca para adotar essa tecnologia, que permite gravar e identificar possíveis falhas na atuação dos agentes, aumentando a transparência e a responsabilidade.

Contexto de críticas e protestos

A decisão ocorre em meio a uma onda de críticas contra a polícia de imigração, conhecida como ICE, em todo o país. Durante a cerimônia do Grammy, o cantor porto-riquenho Bad Bunny, ao vencer três prêmios incluindo álbum do ano, fez um discurso emocionado contra o ICE, declarando: "Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas. Somos seres humanos e somos americanos". Ele acrescentou que "a única coisa mais forte que o ódio é o amor", refletindo o sentimento de muitos que defendem os direitos dos imigrantes.

Histórico de repressão e casos emblemáticos

Donald Trump foi eleito com a promessa de realizar a maior deportação da história dos Estados Unidos, utilizando o ICE como sua principal ferramenta. O orçamento do governo prevê um montante impressionante de US$ 175 bilhões para combater a imigração ilegal, valor que supera os gastos militares da maioria dos países, exceto Estados Unidos e China.

Casos como o do menino Liam Ramos, de apenas 5 anos, tornaram-se símbolos da repressão indiscriminada. Ele e seu pai, originários do Equador, foram detidos por 12 dias antes de serem liberados no domingo, 1º de março, apesar de estarem seguindo os trâmites legais para pedido de refúgio. No entanto, nem todas as histórias têm um final feliz. Quase 70 mil imigrantes permanecem em centros de detenção, incluindo o brasileiro Matheus, preso durante uma entrevista para visto de residência, e Luiz Fernandez, um garçom que vivia em Nova York há 35 anos e agora enfrenta a deportação para o Equador.

Mudanças operacionais e crescimento do ICE

O governo tem acelerado suas operações, reduzindo o tempo de treinamento dos agentes, oferecendo bônus de US$ 50 mil para novos recrutas e expandindo drasticamente o efetivo. Em apenas 12 meses, o ICE passou de 10 mil para 22 mil agentes de deportação. Criado após os atentados de 11 de setembro de 2001 para reforçar a segurança interna, o ICE tem sido alvo de crescente desaprovação pública. Uma pesquisa recente indica que 58% dos americanos acreditam que a agência foi longe demais e criticam a forma como o governo trata os imigrantes.

Essa nova política de câmeras corporais pode representar um passo em direção a maior accountability, mas ainda há um longo caminho a percorrer para abordar as questões fundamentais de direitos humanos e justiça no sistema de imigração dos Estados Unidos.