Trump insiste na compra da Groenlândia e ameaça Otan em Davos, gerando críticas internacionais
Trump quer Groenlândia e ameaça Otan, causando polêmica

Declarações de Trump em Davos geram tensão com aliados europeus

Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a insistir na compra da Groenlândia e fez novas ameaças à Otan, afirmando que não usaria a força, mas poderia recorrer a "força excessiva" se necessário. As declarações do republicano provocaram reações imediatas de líderes internacionais, incluindo críticas contundentes do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer.

Premiê britânico classifica comentários como ofensivos e deploráveis

Em coletiva de imprensa realizada na sexta-feira (23), Keir Starmer respondeu às afirmações de Trump sobre a Otan, qualificando-as de "ofensivas" e "deploráveis". O líder britânico destacou que as palavras do presidente americano causaram dor às famílias de militares mortos ou feridos em conflitos, como no Afeganistão, onde o Reino Unido perdeu 182 soldados.

"Considero as declarações do presidente Trump ofensivas e, francamente, deploráveis, e não me surpreende que tenham causado tanta dor aos familiares daqueles que foram mortos ou feridos", afirmou Starmer aos jornalistas.

Trump acusa Otan de falta de apoio e sugere uso do Artigo 5 para imigração

Nas últimas semanas, Donald Trump tem reclamado publicamente da suposta falta de apoio da aliança militar aos interesses dos Estados Unidos. Em uma postagem em rede social, o presidente sugeriu que os EUA poderiam invocar o Artigo 5 do tratado da Otan – que prevê defesa coletiva em caso de ataque – para forçar os aliados a ajudarem na proteção da fronteira com o México, tratando a entrada de migrantes como uma "invasão".

"Talvez devêssemos ter colocado a Otan à prova: invocado o Artigo 5 e forçado a Otan a vir até aqui proteger nossa fronteira sul contra novas invasões de imigrantes ilegais", escreveu Trump. Vale ressaltar que o Artigo 5 nunca foi utilizado para questões de imigração, sendo tradicionalmente associado a ataques armados; os Estados Unidos o invocaram apenas uma vez, após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Insistência na aquisição da Groenlândia e ameaças à aliança

Em meio a essas tensões, Trump também tem pressionado aliados europeus sobre a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. Durante o fórum em Davos, ele afirmou que nenhum outro país além dos EUA é capaz de garantir a segurança da ilha e que avançou nas negociações com a Otan para obter acesso total à região.

"Nunca pedimos nada à Otan e nunca ganhamos nada da aliança. E provavelmente não teremos nada, a menos que eu decida empregar força excessiva", declarou Trump, acrescentando que os Estados Unidos são tratados de forma injusta pela aliança. Apesar das ameaças, o presidente assegurou que não pretende usar a força para tomar a Groenlândia, mas suas palavras continuam a alimentar desconfianças entre os parceiros.

Contexto de desinformação e impacto nas relações internacionais

As críticas de Keir Starmer foram motivadas, em parte, por alegações falsas de Trump sobre o envolvimento de tropas da Otan no Afeganistão. O republicano chegou a afirmar que essas tropas não atuaram na linha de frente durante a campanha americana no país – uma informação que não corresponde à realidade. Essa desinformação, somada às ameaças e à insistência na compra da Groenlândia, tem elevado as tensões diplomáticas, colocando em risco a coesão da aliança atlântica em um momento de desafios geopolíticos globais.