Trump publica foto de reunião no Salão Oval e ameaça aliados europeus em disputa pela Groenlândia
Trump publica foto e ameaça aliados em disputa pela Groenlândia

O cenário geopolítico global tem sido palco de uma sucessão acelerada de eventos que estão redefinindo as alianças tradicionais e a ordem internacional. Em um momento de extrema tensão, a relação entre os Estados Unidos e seus antigos aliados europeus enfrenta um teste crucial, centrado em uma disputa inesperada: o futuro da Groenlândia.

Um ano de presidência marcado por confrontos

Nesta terça-feira, dia 20, Donald Trump completou um ano à frente da presidência dos Estados Unidos. Logo no início do dia, o mandatário americano partiu para as redes sociais, onde fez ameaças, ironizou parceiros históricos e expôs publicamente uma mensagem privada enviada pelo presidente da França, Emmanuel Macron. Foi uma madrugada agitada, que refletiu a escalada de conflitos diplomáticos.

Embarcando da Flórida de volta para Washington, Trump manteve a pressão sobre os líderes europeus. Em declarações contundentes, afirmou: "Eu não acredito que eles vão oferecer muita resistência. Olha, nós temos que ter a Groenlândia. Eles não podem protegê-la". A afirmação sublinha a determinação do presidente em assegurar o controle sobre o território ártico, considerado estratégico para a segurança nacional.

Além da Groenlândia: o Conselho da Paz

Contudo, a Groenlândia não é o único ponto de discórdia. Trump também busca o envolvimento dos aliados europeus no chamado Conselho da Paz, uma iniciativa criada para supervisionar a transição de poder na Faixa de Gaza e possivelmente outras crises internacionais. No entanto, a comunidade internacional demonstra preocupação, temendo que o conselho possa ser utilizado para esvaziar ainda mais o papel das Nações Unidas.

Questionado sobre relatos de que Macron planeja recusar o convite para participar do conselho, Trump recorreu a ameaças tarifárias diretas: "Ah, ele disse isso? Se eles forem hostis, colocarei uma tarifa de 200% sobre os seus vinhos e champanhes, e aí ele vai entrar no conselho". A declaração ilustra a tática agressiva adotada pelo mandatário americano nas negociações.

Uma série de publicações reveladoras

Com um telefone na mão, ainda durante o voo, Trump disparou uma sequência de recados nas redes sociais. Às 00h26 de Washington, publicou: "Tive uma conversa muito boa por telefone com o secretário-geral da Aliança Militar do Ocidente, Mark Rutte. Concordei com uma reunião entre vários países em Davos, na Suíça. A Groenlândia é fundamental para a segurança nacional e mundial. Não há como voltar atrás. Somos a única potência que pode garantir a paz em todo o mundo (...) através da força".

Vinte e um minutos depois, divulgou uma mensagem privada de Macron, na qual o presidente francês aborda questões do Oriente Médio e expressa perplexidade sobre a postura americana em relação à Groenlândia. "Meu amigo, estamos totalmente alinhados sobre a Síria. Podemos fazer grandes coisas em relação ao Irã. Eu não entendo o que você está fazendo em relação à Groenlândia. Vamos tentar construir grandes coisas: eu posso organizar uma reunião do G7 depois de Davos, em Paris, na quinta-feira à tarde. Vamos jantar juntos em Paris. Emmanuel".

Imagens manipuladas e inteligência artificial

Menos de quinze minutos após a exposição da mensagem, Trump publicou duas imagens que chamaram a atenção. A primeira mostra uma reunião real ocorrida no Salão Oval da Casa Branca em agosto de 2025, com líderes europeus, para discutir a guerra na Ucrânia. No entanto, o mapa ao lado da mesa foi modificado para exibir as Américas conforme a visão de Trump, com Canadá, Groenlândia e Venezuela pintados com a bandeira dos Estados Unidos.

A segunda imagem, gerada por inteligência artificial, retrata Trump fincando uma bandeira americana na Groenlândia, acompanhado pelo vice-presidente JD Vance e pelo secretário de Estado Marco Rubio. As publicações seguintes incluíram críticas ao Reino Unido e a exposição de outra conversa privada, desta vez com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, que elogia as ações de Trump na Síria e expressa compromisso em encontrar uma solução para a questão da Groenlândia.

Contexto de pressão e incertezas

A divulgação de mensagens confidenciais ocorre um dia após o governo da Noruega ter tornado públicas conversas entre Trump e o primeiro-ministro norueguês, nas quais o presidente americano insistia na necessidade de controle total sobre a Groenlândia. Apesar dos apelos europeus por conciliação ao longo do fim de semana, as ações de Trump evidenciam o enorme desafio que os aliados enfrentam.

O presidente não demonstra sinais de recuo, levantando dúvidas sobre se a pressão constitui uma tática de negociação ou se as ameaças serão efetivamente concretizadas. Nesse ambiente de tensão, cada movimento é analisado minuciosamente. O Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte anunciou o envio de aviões americanos para a base militar mantida na Groenlândia, ressaltando que a operação é rotineira e realizada em colaboração com a Dinamarca.

A situação permanece em aberto, com a comunidade internacional atenta aos desdobramentos de uma disputa que pode reconfigurar as relações transatlânticas e o equilíbrio de poder no cenário global.