Trump intensifica pressão sobre Irã enquanto Teerã emite resposta ambígua
Nesta sexta-feira (30), o presidente iraniano Masoud Pezeshkian fez uma declaração em tom aparentemente mais ameno, afirmando que "O Irã acolhe o diálogo e não busca a guerra". Esta fala surge após dias de intensa troca de farpas entre o governo iraniano e os Estados Unidos, marcando um momento crucial nas relações bilaterais.
Diálogo sob ameaça: a posição iraniana
Segundo informações da mídia estatal iraniana, Pezeshkian manteve conversas com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, discutindo especificamente as ameaças recentes proferidas por Donald Trump. Durante esse intercâmbio diplomático, o líder iraniano deixou claro que seu governo não deseja um conflito aberto, mas estabeleceu um limite firme: caso o Irã seja atacado, responderá imediata e decisivamente a qualquer agressão.
É importante contextualizar que o Irã funciona como uma república teocrática, onde princípios religiosos se entrelaçam com estruturas governamentais. Embora exista a figura do presidente, o ayatolá Ali Khamenei permanece como o líder supremo do país, exercendo influência decisiva sobre questões estratégicas e de segurança nacional.
As opções militares em consideração por Trump
Enquanto Teerã emite sinais mistos, o presidente norte-americano Donald Trump avalia um leque amplo de opções militares destinadas a enfraquecer o regime de Khamenei. Conforme revelado pelo prestigiado jornal The New York Times, Trump ainda não tomou uma decisão final, mas as alternativas em análise incluem:
- Bombardeios aéreos contra alvos estratégicos
- Operações especiais encobertas realizadas por forças americanas dentro do território iraniano
- Ataques direcionados a instalações nucleares iranianas
- Ações contra instalações militares e símbolos do regime
Entre as opções mais arriscadas estaria o envio secreto de comandos altamente especializados para destruir ou danificar gravemente partes do programa nuclear iraniano que permaneceram intactas após o bombardeio norte-americano de junho de 2025. O Exército dos EUA possui treinamento específico para missões desse tipo, projetadas para penetrar em território hostil e neutralizar alvos de alto valor.
Estratégia de mudança de regime
Oficiais do governo norte-americano revelaram à agência Reuters que Washington considera também uma estratégia alternativa: realizar ataques direcionados contra forças de segurança e líderes iranianos, com o objetivo explícito de inspirar novos protestos nas ruas do país e "criar condições para uma mudança de regime".
Esta não é a primeira vez que Trump se aproxima de uma ação militar contra o Irã. Na primeira quinzena de janeiro, os Estados Unidos estiveram à beira de atacar o regime iraniano, mas o presidente foi convencido a recuar após mediação internacional e após Teerã ter desistido de realizar execuções de manifestantes.
Discurso público e movimentações militares
Em declaração pública na quinta-feira (29), Trump afirmou que pretende conversar com o Irã e expressou a esperança de não precisar utilizar "navios grandes e poderosos" contra o país. No entanto, o presidente deixou claro que o Irã não pode possuir armas nucleares e deve cessar a repressão contra manifestantes que protestam contra o governo.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, reforçou a postura assertiva, afirmando que a Defesa norte-americana está pronta para "entregar" ao Irã o que Trump determinar, citando como exemplo a operação bem-sucedida contra a Venezuela que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro.
Atualmente, os Estados Unidos mantêm o porta-aviões USS Abraham Lincoln no Oriente Médio, uma plataforma capaz de transportar até 90 aeronaves entre caças e helicópteros. Trump anunciou que mais força militar está a caminho da região para monitorar o Irã "bem de perto", e na quarta-feira (28) escreveu em rede social que o grupo de ataque do USS Abraham Lincoln está preparado para agir "com velocidade e violência, se necessário".
A resposta diplomática iraniana
Enquanto isso, a missão iraniana junto à ONU emitiu uma nota na quarta-feira afirmando que o país responderá "como nunca antes" caso seja atacado. O chanceler iraniano Abbas Araghchi negou categoricamente a existência de negociações em curso com os Estados Unidos e afirmou que o Irã não aceitará dialogar sob ameaças militares.
Esta postura reflete a complexidade das relações entre os dois países: enquanto Pezeshkian emite declarações aparentemente conciliatórias, outras vozes dentro do governo iraniano mantêm um tom desafiador, criando um cenário diplomático volátil onde a guerra de palavras pode facilmente escalar para confrontos reais.