Trump envia porta-aviões ao Oriente Médio e Irã responde com ameaça de guerra total
Trump pressiona Irã com porta-aviões e Teerã ameaça guerra

Trump intensifica pressão sobre Irã com envio de porta-aviões nuclear

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou o deslocamento do porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Oriente Médio, acompanhado por um grupo de ataque que chegou à região na segunda-feira, dia 26. A movimentação militar tem como objetivo principal exercer pressão sobre o governo iraniano, conforme afirmou o próprio mandatário norte-americano.

Contexto da tensão nuclear

Trump declarou que estava enviando uma "grande força" ao Oriente Médio para monitorar o Irã "muito de perto", em meio à repressão do governo de Teerã contra manifestantes internos. O presidente dos EUA justificou o envio do porta-aviões como uma medida de "precaução", embora tenha deixado claro que sua preferência é que "nada aconteça".

Segundo Trump, o governo americano continuará observando atentamente as ações do Irã, enquanto busca trazer o país de volta à mesa de negociação para discutir limites ao programa nuclear iraniano e impedir o desenvolvimento de armas nucleares. O presidente norte-americano revelou ainda que mais navios estão sendo enviados para reforçar a presença militar na região.

Capacidades do USS Abraham Lincoln

O USS Abraham Lincoln, que iniciou sua viagem ao Oriente Médio no início do mês após participar de manobras no Mar do Sul da China, é considerado um dos maiores navios de guerra do mundo. Em operação desde 1989, o porta-aviões possui características impressionantes:

  • Pode transportar até 5.500 tripulantes
  • Equipado com lançadores de mísseis e metralhadoras
  • Capacidade para lançar até quatro aviões por minuto
  • Abriga esquadrões com caças F-35 Lightning II e F/A-18 Super Hornet
  • Transporta até 90 aeronaves, entre aviões e helicópteros

A Marinha dos Estados Unidos descreve o USS Abraham Lincoln como uma verdadeira "cidade em alto-mar", com infraestrutura completa que inclui agência de correio própria, biblioteca, barbearia e lojas para atender à tripulação. O navio é propulsionado por duas usinas nucleares que geram energia elétrica suficiente para abastecer até 100 mil residências.

Resposta iraniana e ameaças recíprocas

As tensões entre Estados Unidos e Irã se intensificaram nesta quarta-feira, dia 28, após novas declarações de Trump. O presidente norte-americano afirmou estar disposto a autorizar uma operação militar contra o Irã caso o país não aceite fechar um acordo nuclear.

Em publicação em rede social, Trump citou especificamente o envio do USS Abraham Lincoln e alertou que o grupo de ataque está pronto para agir "com velocidade e violência, se necessário". Ele comparou a mobilização atual a operações recentes dos EUA, como a ação que levou à captura do ditador deposto Nicolás Maduro na Venezuela, afirmando que a movimentação no Oriente Médio é ainda maior.

Trump também relembrou o bombardeio de três instalações nucleares iranianas realizado em junho do ano passado em parceria com Israel, declarando que um novo ataque ao país seria "muito pior".

Posicionamento firme de Teerã

O governo iraniano respondeu às ameaças afirmando estar disposto ao diálogo, mas reforçando que não abrirá mão do direito de se defender. Em nota oficial, a missão iraniana junto à ONU declarou que o país responderá "como nunca antes" caso seja atacado.

O chanceler iraniano Abbas Araghchi negou categoricamente a existência de negociações em curso com os Estados Unidos e afirmou que o Irã não aceitará dialogar sob ameaças militares. Autoridades iranianas revelaram que o governo se prepara para o pior cenário, incluindo a possibilidade de uma "guerra total".

Esta não é a primeira atuação do USS Abraham Lincoln no Oriente Médio. O porta-aviões já participou de operações durante a guerra no Afeganistão após os atentados de 2001 e serviu de apoio às forças americanas em uma operação contra o grupo rebelde Houthi em 2024.