Especialista questiona motivação de Trump na Groenlândia: 'Interesse vai além da segurança'
O presidente americano Donald Trump recuou sobre o envio de forças militares à Groenlândia e sobre as tarifas que planejava aplicar a países contrários à negociação pela posse do território ártico. No entanto, o editor da Veja Negócios, Diogo Schelp, expressa ceticismo em relação à afirmação de que a preocupação de Trump seja exclusivamente com a segurança.
Interesses econômicos por trás da estratégia
Schelp explica que Trump tenta vender a ideia de um acordo com a OTAN para justificar o recuo nas tarifas, ao mesmo tempo em que reforça o interesse estratégico sobre a região. Difícil acreditar que Trump está preocupado somente com a segurança da Groenlândia, afirma o especialista, que acredita que o presidente americano tem olhos voltados para os recursos naturais do território.
A Groenlândia concentra:
- Terras raras, essenciais para tecnologias avançadas
- Petróleo, com reservas significativas
- Minerais críticos, que ganham valor com o degelo do Ártico
Esses fatores ampliam consideravelmente o interesse econômico dos Estados Unidos, segundo Schelp, que lembra que Trump já demonstrou em outras ocasiões disposição para usar a política externa como ferramenta de acesso a recursos naturais.
Histórico de ações similares
O editor cita exemplos como:
- Intervenções na Venezuela, relacionadas a petróleo
- Negociações com outros países sobre recursos naturais
- Menções ao Brasil em temas ligados a terras raras
Para Schelp, se a preocupação fosse apenas militar, o tema poderia ser resolvido dentro da própria OTAN, com mais investimentos europeus em defesa e presença militar na Groenlândia. Ao insistir que não vai desistir do território, Trump sinaliza que o jogo é mais amplo e mistura segurança, economia e estratégia geopolítica.
O Ártico como palco de disputas globais
Este episódio mostra como o Ártico deve ganhar cada vez mais espaço nas disputas entre potências globais. A combinação de mudanças climáticas, que facilitam o acesso a recursos, e a competição por influência estratégica transforma a região em um ponto crítico nas relações internacionais.
Schelp enfatiza que a insistência de Trump em manter o tema na agenda revela um cálculo complexo, onde interesses econômicos e militares se entrelaçam, moldando a política externa americana em um cenário de crescente tensão global.