Trump em Davos reafirma desejo pela Groenlândia e desafia ordem mundial
Trump em Davos reafirma desejo pela Groenlândia

Trump reafirma em Davos interesse pela Groenlândia e desafia normas internacionais

No emblemático Fórum Econômico de Davos, realizado em janeiro de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a expressar com determinação seu desejo de adquirir a Groenlândia, território autônomo dinamarquês. Em meio a aplausos estrondosos de apoiadores e olhares apreensivos de líderes mundiais, Trump declarou que "ninguém pode defender Groenlândia como os EUA", reacendendo um debate geopolítico que remonta ao seu primeiro mandato.

Discurso inaugural e referências históricas

Ao encerrar seu discurso de posse para o segundo mandato em 20 de janeiro de 2025, em Washington, Trump já havia alertado o mundo com a frase "Nada ficará no nosso caminho". Na ocasião, mencionou a doutrina do século 19 do Destino Manifesto, ideia que defendia a expansão territorial americana como uma missão divina, e anunciou planos para o Canal do Panamá. Agora, essa mesma retórica é direcionada à Groenlândia, com o novo mantra "Nós temos que tê-la".

Ruptura com tradições diplomáticas

A história dos Estados Unidos registra diversas intervenções controversas, mas especialistas destacam que nenhum presidente americano no último século ameaçou tomar um território de um aliado contra a vontade de seu povo. Trump é acusado de quebrar normas políticas estabelecidas desde o fim da Segunda Guerra Mundial, colocando em risco alianças de longa data que sustentam a ordem mundial. Seu estilo é descrito por analistas como uma mudança em direção a um mundo onde o direito internacional é desafiado e a lei do mais forte parece prevalecer.

Reações internacionais e tensões na Otan

O presidente francês, Emmanuel Macron, em discurso no mesmo palco de Davos, alertou contundentemente sobre "um mundo sem regras, onde o direito internacional é pisoteado", sem mencionar Trump diretamente. Há preocupação crescente com uma possível guerra comercial e até com a estabilidade da Otan, aliança militar de 76 anos, caso os EUA tentem tomar a Groenlândia à força.

Defensores da agenda America First de Trump redobram apoio, enquanto o congressista republicano Randy Fine questionou a eficácia das Nações Unidas ao defender a anexação. Na semana passada, Fine apresentou no Congresso americano o projeto "Lei de Anexação e Estadualização da Groenlândia".

Estratégias diplomáticas e táticas de intimidação

Aliados apreensivos buscam formas de lidar com o imprevisível presidente. Alguns defendem a abordagem de "levá-lo a sério, mas não literalmente", enquanto outros veem em suas posições maximalistas táticas de negociação herdadas de sua carreira no mercado imobiliário de Nova York. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, tenta amenizar as ameaças, ressaltando que Trump quer comprar a Groenlândia, não invadi-la, para neutralizar ameaças da China e Rússia.

Entretanto, analistas como Zanny Minton Beddoes, editora-chefe da revista The Economist, descrevem Trump como "um homem de transações e poder bruto, poder ao estilo da máfia", que não valoriza alianças tradicionais. O próprio Trump declarou ao New York Times que "a Otan não é temida pela Rússia ou pela China", expressando ceticismo sobre a aliança.

Respostas europeias e incertezas futuras

Líderes europeus reagem de formas variadas ao desafio. Macron prometeu lançar a "bazuca comercial" da União Europeia com contra-tarifas, enquanto a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, aliada próxima de Trump, fala em "problema de compreensão". O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, defende publicamente a integridade territorial da Groenlândia, mas evita medidas retaliatórias para preservar laços pessoais.

Trump, por sua vez, não hesita em divulgar mensagens privadas de líderes que tentam conquistá-lo, como o convite para jantar em Paris do presidente francês e a mensagem do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que certa vez chamou Trump de "papai" por sua atuação em conflitos no Oriente Médio.

Contexto global e reflexões sobre hegemonia

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, em visita à China, refletiu que "temos que encarar o mundo como ele é, não como gostaríamos que fosse", sinalizando adaptação a um cenário em transformação. Em Davos, Carney destacou que a hegemonia americana forneceu bens públicos como rotas marítimas abertas e segurança coletiva, mas alertou: "Estamos em meio a uma ruptura, não a uma transição."

Enquanto isso, Trump prepara-se para discursar no pódio de Davos com o mundo assistindo. Questionado sobre o que poderia detê-lo, respondeu: "Minha própria moralidade. Minha própria mente. É a única coisa que pode me deter." Aliados agora buscam persuadi-lo, bajulá-lo ou forçá-lo a mudar de ideia, mas desta vez não há certeza de sucesso, deixando o futuro das relações internacionais em suspenso.