‘Eu quero a Groenlândia’: o interesse de Donald Trump em ampliar a presença americana no Ártico
O presidente americano, Donald Trump, manifestou publicamente seu desejo de adquirir a Groenlândia para os Estados Unidos, chegando a considerar a possibilidade de comprar a ilha, que faz parte do Reino da Dinamarca. Essa ambição reflete uma visão expansionista que remonta a épocas anteriores da história americana.
Discurso de posse e tradição expansionista
Em seu discurso de posse, Trump prometeu que "os Estados Unidos serão novamente considerados uma nação em crescimento, que aumenta sua riqueza, expande seu território" e "leva a nossa bandeira para novos e belos horizontes". Segundo o historiador Walter A. McDougall, da Universidade da Pensilvânia, as políticas de Trump relembram a tradição da Doutrina Monroe de 1823, que justificava o intervencionismo americano no hemisfério ocidental.
Paralelos históricos com aquisições territoriais
Outro historiador, Jay Sexton, da Universidade de Missouri, destaca que, assim como ocorre com a Groenlândia, os Estados Unidos historicamente buscaram controlar territórios para evitar que caíssem nas mãos de outras potências. A expansão territorial americana, que transformou o país em uma vasta nação, envolveu diversos mecanismos, incluindo a compra de territórios de Estados soberanos.
Principais aquisições territoriais dos Estados Unidos
Ao longo da história, os Estados Unidos adquiriram vários territórios por meio de compras, muitas vezes em contextos estratégicos ou conflituosos. Aqui estão os episódios mais significativos:
- A compra da Louisiana (1803): O presidente Thomas Jefferson comprou da França napoleônica um vasto território por US$ 15 milhões, quase dobrando o tamanho dos EUA e iniciando a expansão para o oeste.
- A Cessão Mexicana (1848): Após a guerra com o México, os EUA adquiriram territórios como Texas e Califórnia por US$ 15 milhões, em um acordo considerado uma venda forçada devido à derrota mexicana.
- A venda de La Mesilla (1853): O México vendeu uma faixa de terra ao sul do Arizona e Novo México por US$ 10 milhões, facilitando a construção de uma ferrovia transcontinental.
- A compra do Alasca (1867): O secretário de Estado William Seward comprou o Alasca da Rússia por US$ 7,2 milhões, uma decisão inicialmente criticada, mas que se revelou valiosa com descobertas de recursos e importância militar.
- Compra das Ilhas Virgens Americanas (1917): Os EUA adquiriram as Índias Ocidentais Dinamarquesas da Dinamarca por US$ 25 milhões, em um contexto de preocupação com a segurança durante a Primeira Guerra Mundial.
Contexto atual e resistências
A tentativa de Trump de comprar a Groenlândia encontra resistência, tanto da Dinamarca quanto dos groenlandeses, que não desejam ver seu território negociado. Pesquisas indicam que a população local rejeita a ideia, lembrando que, no acordo de 1917, os EUA se comprometeram a não se opor aos interesses dinamarqueses na Groenlândia.
Essa ambição expansionista, embora alinhada com práticas históricas, enfrenta desafios contemporâneos de soberania e opinião pública, destacando como os Estados Unidos continuam a buscar influência em regiões estratégicas como o Ártico.