Trump afirma que Irã deseja acordo, mas aumenta pressão com envio de armada ao Oriente Médio
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, que o Irã demonstra interesse em um acordo, estabelecendo uma data limite para que Teerã responda às propostas norte-americanas. No entanto, em um movimento que eleva a tensão geopolítica, Trump anunciou o envio de uma enorme armada americana ao Oriente Médio, intensificando a pressão sobre o país islâmico em meio às disputas sobre seu programa nuclear.
Discurso endurecido e mobilização militar
Apesar de mencionar a possibilidade de um acordo, Trump adotou um tom firme ao revelar os planos de deslocar a frota militar, liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln. Segundo ele, essa força naval é ainda maior do que a mobilizada recentemente na costa da Venezuela, onde tropas americanas capturaram o presidente Nicolás Maduro. Quando questionado por um jornalista da AFP sobre a repetição de ações militares semelhantes, Trump evitou detalhar planos específicos, mas reafirmou o compromisso de usar a presença militar como ferramenta de pressão.
Nas últimas semanas, Trump renovou repetidamente as advertências contra o Irã, exigindo que a República Islâmica aceite novas condições para limitar seu programa nuclear. Os Estados Unidos saíram do acordo anterior, firmado em 2015, em 2018, e desde então as relações entre os dois países têm sido marcadas por retórica hostil e medidas de força.
Resposta iraniana: abertura ao diálogo, mas defesa inegociável
Em contrapartida, o governo iraniano nega veementemente o desenvolvimento de armas atômicas e afirma não buscar confronto direto. Nesta mesma sexta-feira, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, adotou um tom mais moderado em declarações à mídia estatal, afirmando que o país está aberto ao diálogo, mas não abrirá mão de sua capacidade de defesa.
"Não buscamos a guerra, mas responderemos de forma imediata e decisiva a qualquer agressão", declarou Pezeshkian, conforme relatado por veículos de comunicação locais. Ele também discutiu a situação com líderes de países vizinhos, reiterando que o Irã não deseja um conflito regional, embora mantenha sua postura defensiva como prioridade estratégica.
Opções militares em avaliação pelos EUA
Nos Estados Unidos, Trump e sua equipe estão avaliando uma série de opções militares para pressionar o regime liderado por Ali Khamenei. Fontes ouvidas pelo New York Times mencionam possibilidades que incluem:
- Bombardeios a instalações nucleares e militares iranianas
- Operações especiais conduzidas por comandos norte-americanos
- Ações direcionadas a líderes e forças de segurança iranianas
Essas medidas, segundo as fontes, poderiam fomentar protestos internos no Irã e criar condições para uma mudança de regime, embora nenhum plano tenha sido oficialmente autorizado até o momento.
Contexto de tensão e mobilizações anteriores
Autoridades do governo dos EUA, ouvidas pela Reuters, também citam a possibilidade de ataques seletivos a forças de segurança e lideranças iranianas, com o objetivo de enfraquecer o regime e estimular instabilidade interna. Essa estratégia reflete um padrão de ações anteriores, como a mobilização de navios de guerra no início do mês em resposta à repressão de protestos no Irã, que, segundo ativistas, resultou na morte de milhares de pessoas.
O envio da armada ao Oriente Médio ocorre em um momento crítico, onde a retórica entre Washington e Teerã permanece tensa, mas com sinais contraditórios de abertura ao diálogo. Enquanto Trump insiste em usar a força militar como alavanca, Pezeshkian busca equilibrar a disposição para conversas com a defesa intransigente da soberania iraniana, deixando o cenário internacional em alerta para possíveis escaladas ou avanços diplomáticos.