Análise: presença de Trump desafia multilateralidade em Davos e representação brasileira é criticada
O Fórum Econômico Mundial iniciou suas atividades nesta segunda-feira, dia 19 de janeiro, na cidade de Davos, na Suíça, com programação que se estende até sexta-feira, 23 de janeiro. O evento reúne uma impressionante delegação de mais de 3.000 participantes, representando 130 países diferentes, incluindo 64 chefes de Estado e de governo.
O tema central desta edição é fomentar o espírito de diálogo, com debates focados em desafios geopolíticos, econômicos e tecnológicos que afetam o cenário global. No entanto, a realidade prática do encontro parece distante desse ideal colaborativo, segundo análises especializadas.
Poucos consensos e visões divergentes
O economista e doutor em relações internacionais Igor Lucena, em participação no programa Conexão Record News desta terça-feira, dia 20, expressou ceticismo sobre os resultados do fórum. "Esse será talvez o Fórum Econômico Mundial mais difícil de se ter consensos e documentos oficiais. Acho que cada um vai procurar a sua própria visão de mundo", afirmou Lucena.
Segundo o especialista, a situação atual em Davos é particularmente complicada devido à natureza multilateral do evento, que entra em embate direto com a presença de figuras políticas como Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos.
Trump coloca multilateralidade em xeque
Lucena destacou que a participação de Donald Trump representa um desafio significativo para os princípios tradicionais do fórum. "O presidente Trump vai estar presente colocando tudo isso em xeque. Ele impõe uma espécie de nova arquitetura internacional, a qual a grande maioria desses países não concorda", explicou o economista.
Essa postura, de acordo com a análise, pode minar esforços de cooperação e acordos conjuntos, tornando ainda mais difícil alcançar consensos entre as nações participantes.
Representação brasileira considerada "muito negativa"
Além da questão envolvendo Trump, Lucena também direcionou críticas à postura adotada pelo Brasil durante o evento. O país está sendo representado pela ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck.
Para o especialista, a ausência de uma figura de maior peso político é um ponto negativo. "Isso mostra que o Brasil não tem o que oferecer do ponto de vista fiscal e econômico. Estamos com problemas fiscais grandes, a comunidade internacional não reconhece o Brasil como um exemplo fiscal ou de investimento com aumento da carga tributária", afirmou Lucena.
O ideal, na visão do analista, seria ter um membro oficial de alto escalão, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o ministro da Economia, Fernando Haddad, representando o país. A escolha atual é interpretada como um sinal de fraqueza política e econômica perante a comunidade internacional.
Em resumo, o Fórum Econômico Mundial de 2026 se apresenta como um palco de tensões e divergências, com a presença de Donald Trump desafiando a multilateralidade e a representação brasileira sendo alvo de críticas por sua falta de peso político e econômico. O cenário sugere que os resultados concretos em termos de acordos e consensos podem ser limitados nesta edição.