O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou uma coletiva de imprensa na Casa Branca nesta terça-feira (20), marcando o primeiro aniversário de seu segundo mandato. Durante o evento, ele confirmou publicamente o convite feito ao ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva para integrar seu Conselho de Paz, uma iniciativa descrita como uma espécie de "ONU paralela".
Convite a Lula e papel na crise Venezuela-EUA
A repórter da TV Globo, Raquel Krähenbühl, questionou Trump sobre o convite e o papel esperado de Lula, especialmente no contexto da crise entre EUA e Venezuela. Trump respondeu afirmativamente, declarando: "Um grande papel. Eu gosto dele". Essa confirmação destaca a intenção do republicano de envolver líderes internacionais em sua proposta de conselho, que visa mediar conflitos globais de forma alternativa.
Críticas à ONU e proposta de Conselho de Paz
Krähenbühl também perguntou se o Conselho de Paz poderia substituir a Organização das Nações Unidas (ONU). Trump criticou a entidade, afirmando: "Bem, talvez eu queira, a ONU não tem sido muito útil. Sou um grande fã do potencial da ONU, mas ela nunca o explorou completamente". Ele argumentou que a ONU deveria ter resolvido guerras que ele tentou abordar, mas nunca recorreu a ela, sugerindo que seu conselho poderia preencher essa lacuna.
Trump alegou ter ajudado a terminar ou evitar várias guerras no primeiro ano de seu mandato atual, uma afirmação contestada por analistas. Seu segundo mandato tem sido marcado por medidas polêmicas, como tarifas globais, ataques militares e ameaças a países parceiros, conforme detalhado em um documento de 31 páginas distribuído pela Casa Branca listando 365 "conquistas".
Foco em imigração e comentários sobre somalis
Boa parte do discurso de Trump foi dedicada a criticar imigrantes, com ênfase nos somalis, a quem ele se referiu de forma depreciativa: "Dizem que é o pior país do mundo. Se é que pode ser chamado de país, eu não acho que seja um país". Ele mostrou fotos de imigrantes presos pelo ICE em Minnesota, acusando-os de crimes, e classificou protestantes contra o serviço de imigração, como Renée Good, como "agitadores profissionais".
Trump repetiu acusações infundadas sobre países estrangeiros enviarem criminosos para os EUA. Em um momento fora do script, ele elogiou a gangue de motoqueiros Hell's Angels, dizendo: "Eles fazem nossos Hells Angels parecerem as pessoas mais doces do mundo... Eu gosto dos Hell's Angels. Eles votaram em mim".
Combate ao tráfico de drogas e ações do ICE
O presidente afirmou que seu governo começará "muito em breve" a combater o tráfico de drogas por via terrestre nos EUA, após alegar que ataques a embarcações no Caribe e Pacífico reduziram o fluxo marítimo. Ele não especificou países-alvo, mas vem prometendo bombardeios na América Latina desde dezembro.
Sobre imigração, Trump manteve o tema como central, embora não tenha cumprido a promessa de expulsar todos os imigrantes irregulares. Ele expandiu as ações do ICE, resultando em 605 mil deportações e 1,9 milhão de "autodeportações" até dezembro. No entanto, essas medidas geraram protestos, como em Minnesota após a morte de Renée Good, baleada por um agente do ICE.
Este primeiro ano do segundo mandato de Trump continua a impactar os EUA e o mundo, com decisões que abalam relações internacionais e políticas domésticas.