O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma ameaça comercial direta à França nesta segunda-feira, 20 de janeiro de 2026. Ele declarou que pode impor tarifas de até 200% sobre a importação de vinhos e champanhes franceses. A medida seria uma retaliação caso o governo do presidente Emmanuel Macron se recuse a integrar o Conselho de Paz para Gaza, uma iniciativa lançada por Washington.
O impasse diplomático por trás da ameaça
A ameaça surgiu como reação à resistência francesa em aderir ao novo órgão internacional proposto pelos EUA. Trump afirmou que Macron recebeu um convite formal, mas sinalizou que a França não pretende participar "neste momento". De acordo com informações do New York Post, fontes do governo francês levantaram dúvidas sobre se o conselho respeitaria os princípios e a estrutura estabelecidos pelas Nações Unidas.
Ao comentar o impasse, o mandatário americano não poupou ironias ao se referir ao líder francês. "Vou impor uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes", disse Trump, completando de forma provocativa que "Macron não precisa participar" do conselho.
A posição da França e a defesa da ONU
A França, que é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, respondeu rapidamente à provocação. Por meio de um comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores reafirmou seu compromisso irrestrito com a Carta das Nações Unidas.
A chancelaria francesa confirmou que recebeu o convite para integrar o Conselho de Paz e informou que, em coordenação com seus parceiros internacionais, está analisando o texto de criação do órgão. O governo destacou que o escopo da proposta "vai além de Gaza" e ressaltou que a Carta da ONU deve permanecer como a base do multilateralismo e da resolução pacífica de disputas.
Composição e objetivos do Conselho de Paz
O Conselho de Paz para Gaza faz parte da segunda etapa do acordo de cessar-fogo entre Hamas e Israel. Segundo a Casa Branca, o órgão terá três missões principais:
- Supervisionar um comitê palestino temporário formado por tecnocratas.
- Mobilizar recursos internacionais para a reconstrução.
- Garantir mecanismos de responsabilização durante a transição do conflito para a paz.
Trump já divulgou parte da lista de convidados confirmados, que inclui figuras de alto escalão:
- Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA.
- Tony Blair, ex-primeiro-ministro britânico.
- Steve Witkoff, enviado especial para o Oriente Médio.
- Jared Kushner, genro do presidente.
- Ajay Banga, presidente do Banco Mundial.
- Marc Rowan, investidor.
Além desses, convites foram estendidos a outros líderes mundiais, como o rei Abdullah II da Jordânia, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, os presidentes argentino Javier Milei e paraguaio Santiago Peña, e os primeiros-ministros Shehbaz Sharif (Paquistão), Narendra Modi (Índia) e Mark Carney. China e Israel, representados pelo premiê Benjamin Netanyahu, também foram convidados. O Kremlin informou que o presidente russo Vladimir Putin recebeu o convite, que está sob análise.
Contexto mais amplo de tensões
Este episódio ocorre em um momento de relações já abaladas entre Trump e líderes europeus. A ameaça comercial foi feita às vésperas de encontros importantes em Davos, envolvendo membros da Otan e da União Europeia.
Analistas apontam que o segundo mandato de Trump tem sido marcado por medidas comerciais agressivas, conflitos internacionais frequentes e o abalo de alianças históricas. A postura do presidente americano, vinculando explicitamente uma questão diplomática sensível a uma retaliação econômica, acende um alerta sobre os novos rumos da política externa dos EUA e seu impacto na ordem multilateral.
A decisão final da França sobre o Conselho de Paz para Gaza e a possível implementação das tarifas por Trump são aguardadas como os próximos capítulos deste embate que mistura diplomacia, comércio e poder.



