Trump ameaça tarifa de 200% em vinhos franceses para pressionar Macron
Trump ameaça tarifa de 200% em vinhos franceses

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma declaração contundente que mistura política externa, economia e uma dose de pressão incomum. Ele afirmou que irá impor uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. A medida, segundo ele, seria uma forma de levar o presidente da França, Emmanuel Macron, a aderir à sua iniciativa internacional chamada Conselho da Paz.

Ameaça comercial como ferramenta política

Questionado por um repórter sobre a declaração de Macron de que não participará do conselho proposto por Trump, a resposta do ex-mandatário americano foi direta e carregada de provocação. “Ele disse isso? Bem, ninguém o quer porque ele deixará o cargo muito em breve”, disparou Trump.

Em seguida, ele detalhou sua tática de pressão: “Vou impor uma tarifa de 200% sobre os vinhos e champanhes dele, e ele vai aderir, mas não precisa aderir”. A declaração, feita de forma pública, coloca uma tensão adicional na relação entre os dois países e levanta questões sobre o uso de barreiras comerciais como moeda de troca em acordos políticos.

Fontes próximas ao governo francês já indicaram que a França pretende recusar o convite para integrar a iniciativa neste momento, reforçando a posição independente de Macron.

O que é o Conselho da Paz de Trump?

A proposta do Conselho da Paz foi originalmente apresentada por Donald Trump em setembro do ano passado, quando ele anunciou um plano para tentar encerrar a guerra em Gaza. No entanto, o escopo do projeto parece ter se ampliado significativamente.

Um convite enviado a líderes mundiais na semana passada descreve um papel amplo para o conselho, com o objetivo declarado de encerrar conflitos em todo o mundo. Um rascunho do estatuto, enviado pela administração dos EUA a cerca de 60 países e obtido pela Reuters, traz uma condição financeira curiosa: os membros que desejarem que sua participação dure mais de três anos devem contribuir com US$ 1 bilhão em dinheiro.

A reação de governos ao redor do mundo tem sido de extrema cautela. Diplomatas ouvidos pela imprensa internacional expressaram preocupação de que o plano possa, na prática, prejudicar o trabalho e a autoridade das Nações Unidas, criando uma espécie de estrutura paralela.

Expansão da iniciativa e reações

Nesta segunda-feira, Trump também revelou que estendeu o convite para um dos líderes mais controversos do cenário global: o presidente da Rússia, Vladimir Putin. “Ele foi convidado”, confirmou Trump, sem dar mais detalhes sobre a possível aceitação do mandatário russo.

O Brasil está entre os países que receberam o convite e, segundo informações, avalia a participação. A proposta de Trump, no entanto, segue gerando mais perguntas do que respostas na comunidade internacional. Muitos veem o projeto como uma tentativa de criar uma “ONU paralela”, financiada diretamente pelos países membros e com uma linha de ação que refletiria mais diretamente a visão de política externa do ex-presidente americano.

A ameaça específica contra os produtos franceses ilustra a abordagem agressiva e não convencional que Trump pretende usar para angariar apoio para seu conselho. O setor vitivinícola francês, um símbolo nacional e importante para a economia do país, foi colocado no centro de uma disputa geopolítica inédita.