Governo Trump anuncia reforma que pode demitir até 50 mil servidores federais nos EUA
Reforma de Trump pode demitir 50 mil servidores federais nos EUA

Governo Trump anuncia reforma histórica que pode levar à demissão de 50 mil servidores federais

O governo do presidente Donald Trump publicou nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, uma norma que flexibiliza significativamente a posição de aproximadamente 50 mil servidores públicos de carreira nos Estados Unidos. A medida, anunciada pelo Escritório de Gestão Pessoal, representa a maior alteração nas regras do funcionalismo público americano em um século.

Reenquadramento de status facilita processo de demissão

A nova regulamentação reclassifica funcionários federais, facilitando o processo de demissão através do reenquadramento de status para cargos sem vínculo empregatício permanente. Denominada Políticas de Horário/Carreira, a categoria permitirá que agências federais "removam rapidamente" funcionários considerados problemáticos.

Segundo a justificativa apresentada pela Casa Branca, supervisores de agências têm relatado "grande dificuldade" na remoção de funcionários por desempenho insatisfatório. A nova norma especifica que poderão ser demitidos servidores que apresentem:

  • Má conduta comprovada
  • Desempenho profissional abaixo do esperado
  • Obstrução do processo democrático ao subverter diretrizes presidenciais

Retorno da polêmica categoria Schedule F

A medida revive uma ordem executiva da primeira passagem de Trump pela Presidência, quando foi criada a categoria específica Schedule F para funcionários envolvidos em políticas públicas. Esta categoria havia sido revogada durante o governo de Joe Biden, que implementou em 2024 um regramento expandindo as proteções dos trabalhadores federais de carreira.

Com o retorno de Trump à Casa Branca, a proposta de Biden foi derrubada, trazendo novamente à tona a controversa Schedule F. A norma ainda deve passar por análise de um juiz federal antes de entrar plenamente em vigor.

Mudanças no tratamento de denúncias internas

Além das alterações nas regras de demissão, o governo também modificou a forma como as agências lidam com autores de denúncias dentro do seu efetivo. Anteriormente, um órgão independente chamado Gabineto do Conselheiro Especial era responsável pela maioria das denúncias.

Com a nova norma, as próprias agências assumirão a responsabilidade de estabelecer proteções trabalhistas para servidores que as acusem de irregularidades, centralizando o processo internamente.

Reação imediata de sindicatos e grupos de defesa

Como era de se esperar, o movimento da Casa Branca gerou uma forte reação negativa. Uma coalizão de mais de 30 sindicatos e grupos de defesa já ameaça entrar com processo judicial contra a medida.

De acordo com a ONG Democracy Forward, representante das organizações, a nova norma "permite que o governo contorne as leis existentes do serviço público, retire dos funcionários as proteções merecidas e abra a porta para demissões e contratações com motivação política".

Muitas dessas entidades já se mobilizavam contra a administração Trump devido a uma ordem executiva emitida em fevereiro de 2025. O texto, intitulado "Uma Única Voz para as Relações Exteriores dos Estados Unidos", permitia que servidores não alinhados à agenda de política externa da Casa Branca fossem punidos, incluindo a possibilidade de demissão.

A mobilização anterior teve relativo sucesso, com juízes federais suspendendo a política em uma disputa que deve voltar aos tribunais nos próximos dias. Agora, os grupos se preparam para nova batalha legal contra o que classificam como politização do funcionalismo público americano.