Netanyahu vê futuro de paz com Irã após protestos que deixam 192 mortos
Protestos no Irã: 192 mortos e corte de internet

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez uma declaração surpreendente sobre o Irã durante a reunião semanal de seu gabinete. Ele afirmou que, quando um determinado dia chegar, os dois países voltarão a ser parceiros fiéis para construir um futuro de prosperidade e paz para seus povos.

Onda de protestos se transforma em desafio político

A declaração de Netanyahu ocorre em meio a uma grave crise interna no Irã. Há duas semanas, precisamente desde 28 de dezembro, o país vive uma onda de manifestações que se espalhou por quase todo o território. Os protestos começaram motivados pelo alto custo de vida e pela inflação acelerada, problemas agravados pelas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e pela ONU.

No entanto, o movimento rapidamente ganhou um caráter político, transformando-se em uma contestação aberta contra a teocracia que governa o país. A insatisfação popular ultrapassou as questões econômicas e passou a questionar diretamente o regime.

Repressão violenta e apagão digital

A resposta das autoridades iranianas tem sido dura. Na quinta-feira, após uma grande manifestação na capital Teerã e a ampla divulgação de vídeos dos protestos nas redes sociais, o governo tomou uma medida extrema: cortou o acesso à internet e ao sinal de telefonia móvel em todo o país.

Segundo a organização de defesa dos direitos humanos Iran Human Rights, já foram registradas 192 mortes durante os confrontos. A entidade alerta, porém, que o número real pode ser muito maior, já que o bloqueio da internet dificulta a contabilização precisa de vítimas e a coleta de informações.

Chamado para ocupar as cidades

Do exílio, uma figura histórica tem ganhado protagonismo nos protestos. Reza Pahlavi, filho do antigo xá do Irã, tem convocado algumas das maiores manifestações em Teerã. No sábado, seu apelo aos manifestantes foi mais ousado.

Em uma mensagem publicada nas redes sociais, Pahlavi convocou os iranianos a "irem todos às ruas com bandeiras, imagens e símbolos patrióticos, ocupando os espaços públicos". Ele deixou claro que o objetivo mudou: "O nosso objetivo já não é apenas sair às ruas; o nosso objetivo é nos preparar para conquistar e defender os centros urbanos".

O cenário no Irã permanece tenso e imprevisível. Enquanto Netanyahu projeta um futuro distante de reconciliação, as ruas iranianas vivem um presente de confronto, com a população desafiando um regime que responde com repressão e isolamento digital. O desfecho desta crise pode redefinir não apenas o futuro interno do Irã, mas também seu papel em uma das regiões mais instáveis do mundo.