Ex-embaixador britânico renuncia ao Partido Trabalhista após vínculos com Jeffrey Epstein
Político britânico renuncia após caso Epstein

Político britânico cai em desgraça após revelações sobre ligação com Jeffrey Epstein

O ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, Peter Mandelson, renunciou formalmente à sua filiação ao Partido Trabalhista após novas e impactantes revelações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre sua relação com o notório criminoso sexual Jeffrey Epstein. Os documentos, divulgados na sexta-feira, 30 de janeiro, expõem uma série de conexões preocupantes que abalam a cena política britânica.

Documentos expõem pagamentos e trocas de e-mails

Os arquivos liberados pelas autoridades americanas mostram que Mandelson manteve Epstein informado sobre alterações na política fiscal britânica, com e-mails datados de 2009, quando atuava como secretário de negócios no governo do premiê Gordon Brown. Em uma das mensagens, o político assegurava ao criminoso que estava "se esforçando" para modificar políticas governamentais em seu favor.

Além disso, os extratos bancários incluídos na documentação revelam três depósitos separados de 25 mil dólares, enviados das contas de Epstein com referência ao ex-secretário britânico. Mandelson afirmou acreditar que essas alegações são falsas, mas reconheceu a necessidade de investigação, declarando não ter "registro ou lembranças" sobre os pagamentos.

Foto polêmica e carta de renúncia

Entre os materiais divulgados, uma foto controversa mostra o ex-diplomata vestindo apenas cuecas ao lado de uma mulher não identificada. Em resposta, Mandelson afirmou que "não consegue identificar o local ou a mulher, e não consegue pensar em quais eram as circunstâncias".

No domingo, 1º de fevereiro, o político redigiu uma carta de renúncia dirigida à secretária-geral do Partido Trabalhista, Hollie Ridley. No documento, ele expressou não desejar causar mais "constrangimentos" à sigla e pediu "desculpas às mulheres e meninas cujas vozes deveriam ter sido ouvidas há muito tempo". Mandelson também mencionou sentir-se "arrependido" pela comoção gerada em torno do caso Epstein.

Pressão política e reações

As novas revelações aumentaram significativamente a pressão sobre Mandelson tanto no Reino Unido quanto no exterior. Steve Reed, secretário de habitação britânico, declarou que o ex-embaixador tinha a "obrigação moral" de compartilhar tudo o que sabia sobre Epstein para ajudar as vítimas a encontrar justiça.

Do outro lado do Atlântico, a congressista americana Christine Jardine, do Partido Democrata, sugeriu que Mandelson deveria se oferecer para prestar depoimento ao legislativo dos Estados Unidos. Ela enfatizou que qualquer pessoa com conhecimento das atividades de Epstein tem "uma responsabilidade moral com suas vítimas".

Críticas ao primeiro-ministro Keir Starmer

Um porta-voz do Partido Conservador britânico fez duras críticas ao primeiro-ministro Keir Starmer pela "falta de coragem em agir" após a exposição das relações entre Mandelson e Epstein. O representante afirmou que, embora "Lord Mandelson esteja em enorme desgraça", Starmer permitiu que ele renunciasse ao invés de expulsá-lo do partido.

O porta-voz também exigiu uma investigação independente sobre a nomeação de Mandelson como embaixador em dezembro de 2024, citando "terrível falta de julgamento" por parte do primeiro-ministro.

Histórico de controvérsias

Esta não é a primeira vez que a amizade entre Mandelson e Epstein causa polêmica. No ano passado, o Congresso Americano expôs um "livro de aniversário" compilado para o 50º aniversário do criminoso, no qual o diplomata britânico se referia a Epstein como "meu melhor amigo". Posteriormente, a agência Bloomberg revelou uma série de e-mails trocados entre os dois, mostrando o apoio de Mandelson ao pedófilo.

Essas revelações anteriores já haviam levado à demissão de Mandelson do cargo de embaixador pelo premiê Keir Starmer, demonstrando um padrão de associação que agora culmina em sua saída do Partido Trabalhista.

O caso continua a gerar repercussões significativas no cenário político britânico, levantando questões sobre transparência, responsabilidade moral e os limites das relações entre figuras públicas e indivíduos envolvidos em crimes graves.