Minnesota Paralisa em Dia de Protestos Contra Operações do ICE e Políticas de Imigração de Trump
O estado de Minnesota viveu um dia de paralisação geral nesta semana, com milhares de pessoas tomando as ruas em protesto contra as operações agressivas do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) e as políticas do ex-presidente Donald Trump. A mobilização surge em resposta a uma série de ações que têm desestabilizado a comunidade somali-americana local, estimada em cerca de 80 mil pessoas, uma das maiores populações refugiadas do país.
Comunidade Somali em Alerta Após Batidas Constitucionalmente Suspeitas
Quando agentes de imigração iniciaram operações em Minneapolis no mês passado, Kowsar Mohamed, uma doutoranda da Universidade de Minnesota, começou a bater de porta em porta e mobilizar outros somali-americanos em uma equipe improvisada de resposta. Muitos temiam estar sendo alvo específico das ações, um receio que reavivou memórias da vigilância estatal e da autoridade arbitrária que acreditavam ter deixado para trás ao se reassentarem nos Estados Unidos.
Mais de 100 voluntários agora patrulham o sul de Minneapolis, distribuem cartilhas de “Conheça seus direitos” e acompanham idosos assustados. “Você nunca imaginaria que alguém simplesmente pudesse te arrancar da rua… e dizer: ‘Prove para mim que você é cidadão’”, disse Mohamed, referindo-se a relatos de táticas agressivas por parte dos agentes do ICE.
Envio de 3.000 Agentes Federais Intensifica Acusações de Intimidação Eleitoral
O envio de 3.000 agentes federais — determinado por Trump — intensificou acusações de democratas e líderes locais de que ele estaria mirando uma comunidade politicamente influente às vésperas das eleições de meio de mandato de 2026. Isso aprofundou o temor de que as operações representem intimidação para suprimir a participação eleitoral dos somalis.
Trump, que já descreveu os somalis como “lixo” que deveria ser expulso do país, afirmou que as operações são necessárias para combater o crime, embora muitos dos detidos não tenham acusações nem condenações criminais. Ele também citou um escândalo de fraude envolvendo o desvio de recursos federais destinados a programas de assistência social em Minnesota para justificar o envio de agentes ao estado.
Tiroteio Fatal e Impacto Econômico Aumentam Tensões
Minneapolis está em alerta desde o tiroteio fatal de Renee Good, de 37 anos, por um agente de imigração, em 7 de janeiro. “Muitos membros da comunidade fugiram da guerra, e esta administração está acionando outra zona de guerra”, disse Abdulahi Farah, copresidente da Somali American Leadership Table.
Em Cedar-Riverside, um bairro somali normalmente movimentado, comerciantes dizem que a atividade está visivelmente mais fraca desde a chegada dos agentes de imigração. “Está bem parado”, disse Rashid Jama, gerente de um mercado no bairro. “Muitos dos nossos fornecedores são latinos e estão com medo de vir trabalhar.”
Mobilização de Base e Engajamento Eleitoral Como Resposta
Os esforços de Mohamed fazem parte de uma onda mais ampla de iniciativas de base para reagir, como filmar prisões, organizar protestos pacíficos e acelerar ações de engajamento eleitoral. Alguns somali-americanos temem que as batidas sejam uma tentativa de suprimir o comparecimento às urnas antes das eleições de meio de mandato de novembro.
“Isso sinaliza que, se nos livrarmos deles, se os assustarmos, eles não vão sair para votar nas eleições de meio de mandato de 2026. Sabemos que esse é o alvo”, afirmou Farah. Mesquitas e centros comunitários vizinhos estão se transformando em polos de educação política em Minnesota, segundo líderes locais.
Defensores dos Direitos Civis Alertam para Eco de Repressões Passadas
Defensores dos direitos civis e acadêmicos dizem que as operações de imigração em Minneapolis ecoam repressões passadas em bairros negros e latinos, alimentando temor de uso político de bodes expiatórios. Eleitores somali-americanos têm apoiado majoritariamente os democratas desde que refugiados começaram a se reassentar nos EUA nos anos 1990.
A deputada Ilhan Omar é o membro mais conhecido da comunidade e alvo frequente de ataques racistas de Trump. Questionada sobre isso, a porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, afirmou em comunicado que imigrantes “que não contribuem para nossa economia, enganam os americanos e se recusam a se integrar à nossa sociedade não deveriam estar aqui”.
Líderes Somali Enfatizam o Poder do Voto Como Resistência
O presidente do Partido Republicano de Minnesota, Alex Plechash, negou que as batidas tenham motivação política, classificando a acusação como “categoricamente falsa”, mas disse que reclamações sobre táticas agressivas merecem análise. Enquanto isso, alguns líderes da comunidade somali dizem que a mobilização de eleitores será prioridade nos próximos meses.
“O poder que temos é votar”, disse Abdullahi Kahiye, de 37 anos, que afirmou ter se naturalizado cidadão dos EUA em 2024. “O ICE e quem quer que esteja tentando aterrorizar a comunidade somali não vão conseguir.” A paralisação em Minnesota marca um momento crucial de resistência e organização comunitária frente a políticas de imigração controversas.