A líder oposicionista venezuelana María Corina Machado voltou a se manifestar publicamente nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, sobre a operação militar dos Estados Unidos que resultou na deposição do ditador Nicolás Maduro. Apesar de ter sido ignorada pelo presidente americano, Donald Trump, em pronunciamento no sábado, 3 de janeiro, a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025 reiterou seu agradecimento a Washington e afirmou que "a liberdade está próxima" para a Venezuela.
Agradecimento nas redes e projeção de futuro
Em uma publicação na rede social X, antigo Twitter, Machado celebrou as manifestações globais de apoio à intervenção americana. Ela destacou que venezuelanos em 30 países e 130 cidades ao redor do mundo saíram às ruas para marcar o que chamou de "um passo gigantesco" rumo à transição política em seu país.
"Nós, venezuelanos, agradecemos ao presidente Donald Trump e à sua administração pela firmeza e determinação em defender a lei", escreveu a oposicionista. Em sua mensagem, ela ainda projetou uma futura aliança, afirmando que "a Venezuela será o principal aliado dos Estados Unidos em questões de segurança, energia, democracia e direitos humanos".
Machado também fez um emocionado apelo à diáspora venezuelana, que soma quase 8 milhões de pessoas, prometendo que em breve todos poderão celebrar juntos em sua pátria. "Nossos filhos voltarão para casa", completou.
O silêncio de Trump e a incerteza política
Contudo, o cenário político apresenta uma contradição gritante. Apesar de María Corina Machado ser a principal figura da oposição e ter vencido as primárias em 2023, sua candidatura foi barrada pelo regime de Maduro. Ela então endossou o diplomata Edmundo González Urrutia, que foi reconhecido como presidente eleito da Venezuela pelos Estados Unidos, União Europeia e diversos países latino-americanos após as eleições contestadas.
Em coletiva de imprensa no sábado, 3 de janeiro, o presidente Donald Trump fez pouco caso da liderança de Machado. Ele a descreveu como "uma mulher simpática", mas afirmou que ela não teria apoio suficiente para liderar uma transição. Em vez de apoiar González ou Machado, Trump sugeriu que os Estados Unidos "vão governar" a Venezuela por tempo indeterminado, até que seja possível realizar uma transição "justa e sensata", sem fornecer mais detalhes.
Trump também mencionou que a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência interina, concordou em cooperar com os interesses americanos. Rodríguez, no entanto, já criticou a operação militar em Caracas, classificando-a como uma "agressão à soberania" e exigindo a libertação de Maduro.
Maduro nos EUA e a defesa de González
Enquanto isso, o ex-ditador Nicolás Maduro enfrenta a justiça americana. Nesta segunda-feira, ele compareceu à sua primeira audiência em um tribunal de Nova York, acompanhado da esposa, Cilia Flores, para responder a acusações de "narcoterrorismo". Ele permanecerá detido até a próxima audiência, marcada para 17 de março de 2026.
Do outro lado, María Corina Machado, que viveu escondida na Venezuela e depois deixou o país em novembro para receber o Nobel, continua sua campanha política a partir do exterior. Ela defende que Edmundo González assuma a presidência "imediatamente", para cumprir o que considera ser seu mandato legítimo conforme os resultados das últimas eleições.
Apesar do claro desdém de Trump por sua liderança, Machado mantém o apoio público à intervenção militar americana. Este posicionamento revela a complexidade do momento: uma líder oposicionista agradecendo a um governo estrangeiro que, ao mesmo tempo, a marginaliza e projeta um controle direto sobre o futuro de seu país. O caminho para a "liberdade próxima" que Machado vislumbra parece mais tortuoso e incerto do que nunca.