Um chamado de emergência mobilizou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Vila Velha, no Espírito Santo, na tarde desta quinta-feira, 08 de janeiro de 2026, para um cenário incomum. A solicitação era para socorrer um homem caído, mas a vítima era, na verdade, um boneco.
O cenário do protesto montado na rua
A equipe de socorristas, ao chegar ao local indicado, deparou-se com uma cena cuidadosamente armada. Um manequim estava caído no asfalto, ao lado de uma bicicleta, com a cabeça posicionada dentro de um buraco na via. A montagem foi uma ação de protesto idealizada pelo ex-vereador e morador da cidade, Jardel Vieira Machado Nunes.
Segundo informações, a motivação para o ato inusitado foi um acidente real envolvendo um motociclista, que se feriu devido às precárias condições da rua. O boneco no buraco foi a forma encontrada para chamar a atenção das autoridades e da população para o problema crônico da infraestrutura urbana.
Alerta das autoridades sobre os riscos dos trotes
Apesar da boa intenção por trás do protesto, a ação gerou forte repúdio por parte das autoridades de saúde. O secretário municipal de Saúde, Tyago Hoffmann, fez um alerta contundente sobre os perigos de acionamentos falsos dos serviços de emergência.
"Muitos trotes, vários, a maioria deles, levam o emprego da ambulância", afirmou Hoffmann. Ele destacou que, em uma ocorrência falsa, o veículo e a equipe ficam indisponíveis para atender a uma real emergência. "Podemos perder uma vida, ou um tempo de uma pessoa tendo um AVC ou um infarto, por exemplo, que poderia ser socorrida", completou o secretário, enfatizando a gravidade e a irresponsabilidade envolvidas em qualquer tipo de trote.
Entre a conscientização e a falta de responsabilidade
O incidente colocou em evidência dois problemas paralelos. De um lado, a legítima reivindicação dos moradores por melhorias no asfalto e na sinalização, um problema que afeta a segurança de todos. Do outro, a forma escolhida para o protesto, que acabou por consumir recursos públicos essenciais e colocar potencialmente outras vidas em risco.
A situação também revelou a solidariedade da comunidade, já que foram outros moradores, ao avistarem a cena, que entraram em contato com o Samu acreditando se tratar de uma pessoa real necessitando de ajuda. O caso serve como um exemplo dos desafios da mobilização social frente à necessidade de preservar os canais de emergência.