Na madrugada do sábado, 3 de janeiro de 2026, os céus de Caracas, Venezuela, foram iluminados por uma série de explosões que despertaram a cidade inteira cerca de quatro horas antes do amanhecer. Os habitantes, inicialmente confusos, não compreendiam que testemunhavam o início de uma operação militar dos Estados Unidos com o objetivo declarado de capturar o então presidente Nicolás Maduro, pondo fim a 12 anos de seu governo.
O Despertar Violento da Capital Venezuelana
Por volta das 2 horas da madrugada, cerca de uma dezena de bombardeios ecoaram pela capital. O aposentado José Moreno, de 67 anos, contou à reportagem que, a princípio, pensou se tratar de fogos de artifício remanescentes das festas de Ano Novo. No entanto, a intensidade e a sucessão dos estrondos o fizeram acreditar que algo muito maior estava em curso. "Sabia que algo importante estava acontecendo", afirmou. Sua suspeita era de que o "tão desejado" finalmente ocorria: a queda do governo ou, pelo menos, a saída do que ele chamou de ditador.
Nas proximidades do Forte Tiuna, um dos alvos dos ataques, Lisbeth Torres viveu momentos de pavor. Ela, o marido e a filha acordaram no escuro total com a primeira detonação, que também cortou a energia elétrica de sua residência. "Eu não sabia o que estava acontecendo, foi assustador", relatou. Ao se aproximar da janela e ouvir o ruído de aviões e novas explosões, ela percebeu a magnitude dos eventos. De uma casa vizinha, conseguiu ver os incêndios que consumiam partes da instalação militar.
Da Incerteza à Expectativa por um Novo Capítulo
Após o choque inicial, um sentimento de expectativa começou a aflorar entre os cidadãos entrevistados. Tanto José quanto Lisbeth, apesar do medo e da insegurança, expressaram esperança em um futuro melhor para o país. Ambos almejam uma transição de governo pacífica e sem vítimas, o restabelecimento da democracia e o retorno dos quase 8 milhões de venezuelanos que migraram durante a crise.
Horas após os ataques, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a operação em uma coletiva de imprensa em Mar-a-Lago, na Flórida. Ele declarou que os EUA "governarão" a Venezuela por tempo indeterminado, até que uma transição "segura, adequada e justa" possa ser realizada. Trump não forneceu detalhes sobre a autoridade legal para tal medida, os prazos envolvidos ou a natureza dos acordos que regeriam esse interregno.
O Chamado da Oposição e a Resposta Internacional
Do lado da oposição venezuelana, a líder María Corina Machado, laureada com o Prêmio Nobel da Paz em 2025, defendeu publicamente que seu colega, o diplomata Edmundo González Urrutia, de 76 anos, assumisse imediatamente o mandato constitucional. Ela pediu que ele fosse reconhecido como comandante em chefe das Forças Armadas Nacionais. Machado, embora impedida de concorrer nas eleições contestadas, mobilizou seu amplo apoio popular, incluindo a diáspora, em favor de González, reconhecido por vários países como o líder legítimo da Venezuela.
O regime de Maduro havia declarado vitória eleitoral apesar das robustas acusações de fraude e das evidências em contrário, cenário que antecedeu a dramática intervenção militar.
Enquanto as nuvens de fumaça ainda pairavam sobre o Porto de La Guaira, visíveis nas fotografias que correram o mundo, os venezuelanos em Caracas e além de suas fronteiras se perguntavam: o que vem agora? A promessa de uma intervenção externa para derrubar um governo gerou uma mistura complexa de alívio, apreensão e uma frágil esperança. O caminho anunciado por Trump, de uma administração temporária norte-americana, abre um capítulo inédito e cheio de incógnitas para o futuro da nação sul-americana.