Macron defende Groenlândia contra pressão de Trump e afirma: 'Não está à venda'
Macron apoia Groenlândia contra Trump e rejeita venda da ilha

O presidente da França, Emmanuel Macron, realizou um encontro significativo com os primeiros-ministros da Dinamarca e da Groenlândia nesta quarta-feira, 28 de janeiro, demonstrando um firme apoio contra as pressões exercidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O pronunciamento ocorreu na sede do governo francês, em Paris, onde Macron, usando os óculos escuros que viralizaram após seu discurso no Fórum Econômico de Davos, afirmou em groenlandês: "A França permanecerá comprometida com o Reino da Dinamarca. A Groenlândia não está à venda, nem será tomada. Os groenlandeses decidirão seu futuro".

Contexto da tensão internacional

As declarações de Macron surgem em meio a um cenário de crescente tensão, após Trump ter expressado publicamente o desejo de anexar a Groenlândia aos Estados Unidos. No dia 22 de janeiro, em entrevista à apresentadora Maria Bartiromo, da Fox News, o presidente norte-americano reforçou essa intenção, descrevendo a ilha como "extremamente valiosa" para a segurança nacional dos EUA. Trump mencionou um projeto chamado "Domo de Ouro", um sistema de defesa aérea similar ao Domo de Ferro de Israel, argumentando que "tudo passa pela Groenlândia" em termos de defesa contra ameaças.

Detalhes das negociações e propostas

Segundo Trump, os Estados Unidos estão negociando "acesso total" à Groenlândia, sem prazo limite, embora não tenha entrado em detalhes específicos sobre a proposta. Ele citou que a ideia remonta ao governo de Ronald Reagan, mas que agora a tecnologia disponível torna o projeto viável. Em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump insistiu na compra da Groenlândia, mas descartou o uso da força para anexação, afirmando que avançou em um acordo com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, envolvendo a região do Ártico.

Relatos do jornal "The New York Times" indicam que a proposta em discussão inclui a entrega de áreas da ilha para a construção de bases militares norte-americanas. Atualmente, os EUA já mantêm bases na Groenlândia e têm prerrogativas para atuar no território em casos de ameaça à segurança, mas a soberania permanece um ponto crítico nas negociações.

Posição da Groenlândia e reações

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, respondeu às pressões afirmando que está disposto a negociar uma parceria mais estreita com os Estados Unidos, mas descartou categoricamente ceder qualquer tipo de soberania. Nielsen elogiou a postura de Trump em buscar acordos, mas estabeleceu a soberania como uma "linha vermelha", repetindo que não aceitará ceder o governo ou parte dele aos EUA.

Essa declaração foi feita após Trump anunciar um acordo preliminar com o secretário-geral da Otan, destacando a complexidade das relações internacionais envolvendo territórios autônomos. A Groenlândia, como a maior ilha do mundo, possui belezas naturais únicas e uma posição estratégica no Ártico, o que a torna alvo de interesses geopolíticos.

Implicações para a política global

O apoio de Macron à Groenlândia e à Dinamarca reflete uma postura de solidariedade europeia contra as ambições expansionistas dos Estados Unidos, sinalizando possíveis divisões nas alianças ocidentais. A situação evidencia como questões de soberania e segurança nacional podem gerar conflitos diplomáticos, com líderes mundiais tomando posições firmes para proteger interesses regionais.

Enquanto Trump busca fortalecer a presença militar norte-americana no Ártico, a resistência da Groenlândia e o apoio francês destacam a importância do autodeterminação dos povos em disputas territoriais. O desfecho dessas negociações poderá influenciar futuras relações entre a Otan, a União Europeia e os Estados Unidos, moldando a geopolítica global em um contexto de crescentes tensões.