Marine Le Pen ameaça desistir de candidatura se for condenada a usar tornozeleira eletrônica
Le Pen pode desistir de 2027 se usar tornozeleira eletrônica

Marine Le Pen ameaça abandonar campanha presidencial se for condenada a usar tornozeleira eletrônica

A líder parlamentar da Reunião Nacional (RN) na França, Marine Le Pen, fez uma declaração impactante nesta quarta-feira (25), durante entrevista à rede de televisão BFMTV. Ela afirmou categoricamente que não fará campanha para a próxima eleição presidencial francesa caso seja condenada a utilizar uma tornozeleira eletrônica. "Não podemos fazer campanha nessas condições", declarou a política, caracterizando a possível medida como "mais uma forma de me impedir de ser candidata" nas eleições de 2027.

Decisão judicial pendente para 7 de julho

Marine Le Pen aguarda a decisão do Tribunal de Apelação de Paris, marcada para 7 de julho, no caso que envolve assessores de eurodeputados do seu partido. Na primeira instância, ela foi condenada a diversas penas, incluindo:

  • Dois anos de uso obrigatório de tornozeleira eletrônica
  • Proibição de ocupar cargos públicos por um período de cinco anos, com efeito imediato
  • Quatro anos de prisão, sendo dois em regime fechado

Atualmente, a líder política recorre em liberdade enquanto aguarda o julgamento de apelação. A acusação central envolve o desvio de aproximadamente EUR 4,6 milhões (equivalente a cerca de R$ 29 milhões), recursos originalmente destinados a remunerar assessores parlamentares que teriam sido utilizados para pagar funcionários do partido sem qualquer vínculo formal com o Parlamento Europeu.

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Acusações de partidarismo judicial e ameaças

A defesa de Marine Le Pen tem acusado abertamente a Justiça francesa de demonstrar partidarismo político em seu caso. A situação se tornou tão tensa que a juíza responsável pelo processo começou a receber ameaças significativas através das redes sociais, necessitando de proteção permanente de seguranças para sua segurança pessoal.

Pouco antes do início do julgamento, em janeiro deste ano, a revista alemã Der Spiegel publicou uma reportagem reveladora. Segundo a publicação, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria considerado a imposição de sanções contra os magistrados encarregados do caso francês – uma estratégia semelhante à que ele empregou contra ministros do Supremo Tribunal Federal brasileiro durante o julgamento da trama golpista contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa notícia gerou profunda indignação no meio jurídico francês.

Rivalidade política nos bastidores do partido

Enquanto Marine Le Pen se mantém publicamente em silêncio antes do julgamento, seu pupilo político, Jordan Bardella, presidente da RN, tem sido vocal em sua defesa. Bardella argumentou que "seria profundamente inquietante para a democracia" que a deputada fosse impedida de disputar a Presidência da República.

Caso a sentença seja confirmada em julho, o próprio Jordan Bardella, com apenas 30 anos de idade, se tornaria o provável candidato da sigla nas próximas eleições. Curiosamente, algumas pesquisas de opinião o apontam como potencialmente mais competitivo que a própria Marine Le Pen, criando uma sutil rivalidade interna que ambos os políticos têm se esforçado para minimizar publicamente.

Declarações sobre a relação política com Bardella

Durante a mesma entrevista desta quarta-feira, Marine Le Pen foi enfática ao descartar qualquer possibilidade de exercer "um papel de tutora" sobre Jordan Bardella caso ela não possa se candidatar. Ela afirmou claramente: "Em todo caso, o que é certo é que não terei um papel de tutora. Ele nunca esteve sob minha tutela e nunca estará".

A líder de ultradireita acrescentou que, se o presidente do partido for eleito, ela estaria disposta a assumir "qualquer papel que ele quiser" em um eventual governo. No entanto, é importante notar que Jordan Bardella também enfrenta suas próprias questões legais – ele está sob investigação por suposto desvio de fundos do Parlamento Europeu para custear treinamento de mídia durante a campanha eleitoral de 2022. Por enquanto, diferentemente de Le Pen, ele não foi formalmente constituído como réu no processo.

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O caso continua a gerar intenso debate político na França, com implicações significativas para o futuro da democracia francesa e do cenário político europeu mais amplo. A decisão de 7 de julho promete ser um momento decisivo não apenas para Marine Le Pen, mas para todo o espectro político francês.