Fim da patente do Ozempic: Anvisa analisa 8 versões e preços devem cair
Fim da patente do Ozempic: Anvisa analisa 8 versões

Fim da patente do Ozempic: Anvisa analisa 8 versões e preços devem cair

Com a quebra da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e Wegovy, uma nova etapa se inicia no mercado farmacêutico brasileiro. A partir desta sexta-feira, 20 de março de 2026, outros laboratórios podem produzir versões da droga, o que deve aumentar a concorrência e reduzir os preços das canetas antiobesidade e antidiabetes.

Corrida regulatória na Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já recebeu 17 solicitações de registro de novos medicamentos à base de semaglutida. Atualmente, oito produtos estão em análise: sete são versões sintéticas e um é biológico. Dois pedidos de registro da versão sintética estão em fase de exigência, aguardando dados complementares das empresas até o final de junho.

"Para os produtos em análise, a posição técnica sobre aprovação, reprovação ou exigência pode ocorrer até o final de abril", informou a Anvisa em nota. A agência ressalta que ainda não há prazo definido para conclusão dos processos.

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Diferenças entre as novas versões

É importante esclarecer que as novas versões de semaglutida não serão necessariamente genéricos. Segundo a Anvisa, os pedidos se dividem em duas categorias:

  • Biossimilares: fármacos biológicos
  • Análogos sintéticos de peptídeos biológicos: produtos químicos sintéticos

"No caso de medicamentos biológicos não existe a opção de registro como genéricos. Esses produtos podem ser avaliados a partir de diversos ensaios de comparação, mas não são genéricos nem similares", explicou a agência.

Preparação das farmacêuticas

As empresas brasileiras já se movimentam há anos para aproveitar a oportunidade:

Eurofarma lançou em outubro de 2025 as marcas Poviztra e Extensior, em parceria com a Novo Nordisk. "Os produtos são compostos pela molécula de semaglutida biológica injetável de uso semanal de alta qualidade produzida pela Novo Nordisk", afirmou a empresa.

EMS investiu mais de 1 bilhão de reais em uma fábrica em Hortolândia (SP) focada na produção de semaglutida por síntese química. A empresa entrou com pedido para tratamento de diabetes (não obesidade) e aguarda aprovação como medicamento novo. "A tecnologia utilizada é a síntese química em fase sólida, um método moderno, altamente controlado"

Cimed estima que seu produto chegue ao mercado em 2027, dependendo das etapas regulatórias. "A prioridade é garantir o acesso à matéria-prima — que enfrenta forte demanda global"

Biomm submeteu à Anvisa um dossiê para registro de uma versão genérica da semaglutida. "A Biomm conta com uma planta industrial de última geração para produção de medicamentos estéreis injetáveis"

Etapas após a aprovação

A aprovação pela Anvisa não significa disponibilidade imediata nas farmácias. Após o registro, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) define o preço máximo de venda. Só então as farmacêuticas podem estabelecer sua programação de lançamento, considerando cadeia produtiva e logística.

Fim da patente confirmado

A Novo Nordisk tentou prorrogar a patente por mais 12 anos, alegando demora excessiva do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) no trâmite. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido em janeiro de 2026.

"O encerramento de uma patente é etapa natural no ciclo de vida de qualquer inovação. A empresa está preparada para atuar com solidez neste novo contexto", comentou a farmacêutica dinamarquesa, que mantém o Brasil como mercado estratégico.

Apesar de não terem o desconto de 35% previsto na Lei dos Genéricos, as novas versões devem oferecer valores mais competitivos devido à maior concorrência. O acesso a tratamentos para obesidade e diabetes tipo 2 deve se expandir significativamente nos próximos anos.

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