Japão devolve antecipadamente últimos pandas gigantes à China em meio a crise diplomática
Os dois últimos pandas gigantes do Japão, Xiao Xiao e Lei Lei, retornarão antecipadamente à China na próxima terça-feira, 27 de janeiro, em um movimento que reflete a grave deterioração das relações diplomáticas entre as nações asiáticas. Anunciado pelo Governo Metropolitano de Tóquio em dezembro, este será o primeiro momento em meio século que o Japão ficará sem esses animais simbólicos, tradicionalmente emprestados pela China desde os anos 1970.
Despedida emocionante no zoológico de Ueno
O anúncio da devolução atraiu milhares de visitantes ao zoológico de Ueno, em Tóquio, onde os pandas gêmeos, nascidos em junho de 2021, ficarão em exibição até o domingo, 25 de janeiro. Devido à alta demanda, as visitas gratuitas foram suspensas, e os interessados precisam agendar com antecedência para participar de um sorteio e tentar adquirir ingressos. Segundo relatos, as passagens por cada área de exposição duram cerca de um minuto, com visitantes chegando a aguardar até seis horas para ver Xiao Xiao e Lei Lei pela última vez.
Uma vez devolvidos à China, os pandas passarão por uma quarentena antes de serem transferidos para um centro de conservação em Sichuan, no sudoeste do país. Originalmente, o retorno estava previsto para fevereiro, mas um acordo com a Associação Chinesa de Conservação da Vida Selvagem acelerou o processo.
A diplomacia dos pandas e sua interrupção
A prática de enviar pandas ao Japão, conhecida como diplomacia dos pandas, começou em 1972 para comemorar a normalização das relações entre os países. Desde então, um total de 30 pandas gigantes viveram no Japão, muitos nascidos em território nipônico, com o país chegando a abrigar nove ursos simultaneamente, o maior número fora da China. Esse sistema tem sido usado pela China como uma estratégia para suavizar e promover relações com nações amigas, mas também para expressar insatisfação, com pedidos de retorno servindo como sinais claros de tensão.
Atualmente, as tentativas japonesas de negociar o envio de novos pandas não avançaram, devido a uma crise diplomática que se arrasta há cerca de dois meses. A situação começou em 7 de novembro, quando a premiê do Japão, Sanae Takaichi, comentou no parlamento que um ataque chinês a Taiwan poderia constituir um cenário de risco de sobrevivência, sugerindo uma possível intervenção militar japonesa. Pequim, que considera Taiwan parte integral da China, reagiu com forte insatisfação, suspendendo importações de frutos do mar japoneses, proibindo exportações de bens de uso duplo para a indústria de defesa, cortando intercâmbios culturais e aconselhando cidadãos a não viajarem para o Japão.
Impacto simbólico e futuro incerto
A devolução antecipada de Xiao Xiao e Lei Lei não apenas priva o Japão de seus últimos pandas, mas também simboliza um rompimento significativo em uma parceria que durou décadas. Especialistas apontam que essa interrupção na diplomacia dos pandas é um indicador preocupante do estado das relações sino-japonesas, com implicações que podem se estender para além do âmbito cultural e ambiental. Enquanto milhares se despedem dos animais no zoológico, o futuro das relações entre os dois países permanece incerto, com a crise diplomática mostrando poucos sinais de resolução imediata.