Manifestantes no Irã renomeiam rua em homenagem a Trump após ameaça de intervenção
Irã: rua renomeada para Trump após ameaça de intervenção

Uma onda de protestos que varre o Irã ganhou um símbolo inusitado: uma rua na capital Teerã foi simbolicamente renomeada em homenagem ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O ato, registrado em vídeo e divulgado nas redes sociais nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, reflete um apelo desesperado de parte dos manifestantes por intervenção internacional frente à violenta repressão do regime.

O Grito por Ajuda Externa e a Resposta de Trump

As imagens que circularam amplamente mostram um iraniano alterando a placa de uma via pública para incluir o nome do líder republicano. A pesquisadora Holly Dagres, do Washington Institute, confirmou a autenticidade do material e afirmou ter visto vários registros semelhantes de agradecimento a Trump desde suas declarações recentes.

Os apelos diretos não param por aí. A emissora Iran International, com sede em Londres, divulgou outros registros onde manifestantes seguram placas com mensagens como "Trump, um símbolo da paz. Não deixe que nos matem". Este clamor é uma reação direta às ameaças públicas feitas por Donald Trump.

No domingo, 4 de janeiro, a bordo do Air Force One, Trump declarou a jornalistas que estava monitorando a situação de perto. "Se eles começarem a matar pessoas como fizeram no passado, acho que serão duramente atingidos pelos Estados Unidos", afirmou. Já na semana anterior, ele havia sinalizado que, se o Irã começasse a "matar manifestantes pacíficos, o que é de costume, os EUA virão em seu socorro".

Repressão Brutal e Números da Crise

Enquanto os apelos por socorro ecoam, a resposta do governo iraniano aos protestos tem sido marcada por força bruta. As forças de segurança têm usado táticas agressivas para conter as manifestações, que se espalharam por mais de 100 cidades, segundo o príncipe exilado Reza Pahlavi.

O balanço é trágico: pelo menos 36 pessoas perderam a vida desde o início dos protestos. Desse total, 34 eram manifestantes. Além das mortes, mais de 2 mil indivíduos foram presos pelas autoridades. Relatos detalham o uso de gás lacrimogêneo e o destacamento de unidades fortemente armadas para dispersar os atos, inclusive em locais tradicionais como o Grande Bazar de Teerã.

Reza Pahlavi, em entrevista ao programa Hannity da Fox News, foi enfático ao analisar a situação: "O povo iraniano está mais do que nunca empenhado em pôr fim a este regime... o nível das manifestações é sem precedentes no Irã". Para ele, a mobilização massiva é um claro sinal de que "o regime está ruindo e perto de entrar em colapso".

Economia em Colapso Alimenta o Descontentamento

Os protestos, que começam impulsionados por uma grave crise econômica, só se intensificam com a piora dos indicadores financeiros. A moeda local, o rial iraniano, atingiu seu valor mais baixo da história, chegando a 1,46 por dólar americano. A inflação descontrolada corroeu o poder de compra da população, criando um cenário de desespero social.

O próprio presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reconheceu na terça-feira, 6 de janeiro, a gravidade da situação e a impotência do governo. Ele admitiu que a crise está fora de controle e que qualquer intervenção estatal para injetar recursos poderia piorar ainda mais a inflação, prejudicando os mais pobres. "Mesmo que eu quisesse fazer isso, seria forçado a pressionar fortemente as camadas mais pobres da sociedade imprimindo dinheiro. A renda do país é certa e nossos recursos não são ilimitados", declarou Pezeshkian.

O cenário atual no Irã é, portanto, uma combinação explosiva: uma população exaurida pela crise econômica, enfrentando uma repressão estatal violenta, e que agora direciona seus apelos a uma figura internacional polêmica, na esperança de encontrar um alívio para a pressão interna. As declarações de Trump jogaram gasolina nessa fogueira, criando uma dinâmica geopolítica imprevisível em torno dos destinos do país.