O Irã vive um dos momentos mais tensos e violentos dos últimos anos, com protestos massivos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei resultando em centenas de mortes e milhares de prisões. Neste cenário de caos, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo iraniano entrou em contato para negociar um acordo nuclear, ao mesmo tempo em que ameaças militares são trocadas entre os países.
Violência e repressão em escalada
Segundo o grupo de direitos humanos HRANA, sediado nos EUA, o número de mortos nos protestos que eclodiram nos últimos dias de 2025 já ultrapassou a marca de 538 pessoas. Deste total, 490 eram manifestantes e 48 eram policiais. A organização também informa que mais de 10.670 pessoas foram detidas pelas forças de segurança.
O país enfrenta um apagão de internet decretado pelo governo, o que dificulta a confirmação precisa dos números e isola o Irã do resto do mundo. Organizações não governamentais, no entanto, têm recebido relatos alarmantes. O Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI) descreve a situação como um "massacre em curso", com corpos sendo amontoados em hospitais. A ONG norueguesa Direitos Humanos do Irã vai além e sugere que o número real de mortos pode chegar a duas mil pessoas, citando relatos de "assassinatos em massa".
Em resposta aos protestos, que são os maiores desde os de 2022 pela morte de Mahsa Amini, o regime intensificou a repressão. O chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, admitiu neste domingo (11) que as forças de segurança "escalaram o nível de confronto". O líder supremo, Ali Khamenei, classificou os manifestantes como "vândalos" e "sabotadores", afirmando que seu governo "não vai recuar".
Diplomacia sob a sombra da ameaça
Em meio à crise interna, surgiu uma reviravolta diplomática. Donald Trump, em declarações a jornalistas a bordo do avião presidencial Força Aérea Um, revelou que o Irã entrou em contato com os Estados Unidos e propôs negociar um acordo nuclear. "Acho que eles estão cansados de apanhar dos Estados Unidos", disse Trump, acrescentando: "O Irã quer negociar".
No entanto, o ex-presidente republicano, que ameaçou intervir caso o regime reprima protestos pacíficos, fez um alerta. Ele afirmou que seu governo estava em negociações para marcar uma reunião com Teerã, mas que talvez precise "agir primeiro", dado o aumento do número de mortos.
As declarações de Trump foram seguidas por ameaças diretas do lado iraniano. O presidente do parlamento do Irã, Mohammad Bagher Qalibaf, advertiu que, em caso de ataque americano, "os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos". O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, acusou os Estados Unidos e Israel de "semear caos e desordem" no país.
Discurso dual e crise profunda
Enquanto ameaça potências estrangeiras, o governo iraniano tenta conter a fúria popular internamente com um discurso de mão dupla. Pezeshkian pediu que a população se distancie do que chamou de "terroristas e badernistas" e afirmou que o governo está pronto para "ouvir seu povo" e resolver questões econômicas.
Ali Larijani, conselheiro de Khamenei e chefe da principal agência de segurança, declarou que o Irã está "em plena guerra" e que alguns incidentes foram "orquestrados no exterior". A Guarda Revolucionária, braço militar de elite, reforçou que proteger a segurança nacional é "um ponto inegociável".
A crise ocorre em um momento de fragilidade para o Irã, após a guerra com Israel e golpes sofridos por aliados regionais, somados ao restabelecimento de sanções da ONU ao seu programa nuclear em setembro. A comunidade internacional observa com apreensão enquanto as ruas do Irã queimam e o diálogo, seja interno ou internacional, parece cada vez mais distante.