Polêmica internacional: ICE dos EUA integra segurança das Olimpíadas de Inverno na Itália
A confirmação da participação do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, conhecido como ICE, nas operações de segurança dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 na Itália desencadeou uma intensa controvérsia política. A informação, divulgada por um porta-voz do órgão à agência de notícias AFP, chegou poucas semanas antes do início da competição, programada para ocorrer entre 6 e 22 de fevereiro nas cidades de Milão e Cortina d'Ampezzo.
Reação imediata das autoridades italianas
Políticos italianos reagiram com veemência à notícia, condenando a presença da polícia migratória americana devido ao seu histórico controverso em operações anti-imigração nos Estados Unidos. O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, foi categórico ao afirmar que os agentes do ICE não são bem-vindos na cidade sede do evento. "Podemos simplesmente dizer não a Donald Trump uma única vez?", questionou Sala em entrevista à rádio local RTL 102.5, fazendo referência direta ao presidente americano.
O parlamentar europeu Alessandro Zan, do Partido Democrático, seguiu na mesma linha, declarando nas redes sociais: "Na Itália, não queremos aqueles que pisam nos direitos humanos e atuam à margem de qualquer controle democrático". Zan ainda criticou a primeira-ministra Giorgia Meloni, sugerindo que ela "deveria parar de receber ordens de Trump" e agir em prol dos interesses italianos.
Explicações oficiais e contradições
Em comunicado enviado à AFP, o ICE esclareceu que sua participação se limitaria ao apoio ao Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos EUA e às autoridades italianas para mitigar riscos representados por organizações criminosas transnacionais. A agência enfatizou que as operações estariam sob autoridade italiana e que, obviamente, não realizaria controles migratórios em território estrangeiro.
No entanto, as declarações iniciais do governo italiano foram contraditórias. O ministro do Interior, Matteo Piantedosi, negou inicialmente qualquer operação do ICE no país, afirmando que a gestão da segurança compete exclusivamente às forças policiais italianas. Posteriormente, o tom foi alterado, com autoridades reconhecendo que a agência americana teria um papel defensivo limitado, focando na proteção da delegação dos Estados Unidos, que incluirá o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio.
Contexto político delicado
A polêmica ocorre em um momento sensível das relações internacionais, marcado pelas políticas anti-imigração do presidente Donald Trump, que retornou à Casa Branca em janeiro de 2025. Desde então, Trump tem mobilizado milhares de agentes do ICE em operações contra imigrantes irregulares, gerando protestos generalizados nos Estados Unidos.
O clima de tensão foi agravado pelas recentes mortes de dois civis americanos, Renée Good e Alex Pretti, durante operações do ICE em Minneapolis. Esses incidentes alimentaram as críticas à agência e aumentaram a preocupação com sua atuação em solo italiano.
Internamente, assessores da Casa Branca já veem a situação como um problema político crescente, discutindo formas de continuar as deportações sem confrontos diretos com manifestantes. A participação do ICE nas Olimpíadas de Inverno, portanto, transcende a questão da segurança, tornando-se um símbolo das divisões políticas tanto nos Estados Unidos quanto na Itália.