Guerra comercial entre Equador e Colômbia: tarifas de 30% e corte de energia por narcotráfico
Guerra comercial Equador-Colômbia: tarifas e energia em jogo

Guerra comercial entre Equador e Colômbia: tarifas de 30% e corte de energia por narcotráfico

A Colômbia e o Equador mergulharam em uma intensa guerra comercial nesta semana, com medidas que incluem tarifas recíprocas de 30% e o corte do fornecimento de energia elétrica. O conflito teve início na quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, quando o presidente equatoriano, Daniel Noboa, anunciou a imposição de taxas sobre produtos colombianos, justificando a ação pela falta de reciprocidade e de ações firmes no combate ao narcotráfico e pela insegurança na fronteira de 586 quilômetros entre os dois países.

Medidas retaliatórias e impacto econômico

Em resposta, o governo colombiano, liderado por Gustavo Petro, adotou medidas similares na quinta-feira, 22 de janeiro. A Colômbia impôs tarifas de 30% sobre 20 produtos equatorianos, ainda não especificados, e interrompeu as Transações Internacionais de Eletricidade (TIE) com o vizinho. Esta retaliação é particularmente significativa, pois o Equador, que depende da energia hidrelétrica, enfrentou secas intensas em 2024 e sofreu longos apagões, situação em que a Colômbia havia fornecido apoio energético anteriormente.

Diana Marcela Morales, ministra do Comércio da Colômbia, afirmou que a relação comercial entre a Colômbia e o Equador foi construída sobre a base de regras comuns e cooperação mútua. Ela destacou que, quando esse arcabouço é alterado unilateralmente, o Estado colombiano tem a obrigação de agir para proteger seu setor produtivo e garantir a balança comercial.

Contexto político e alegações de narcotráfico

Daniel Noboa, presidente de extrema direita do Equador e aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, argumentou nas redes sociais que tem feito esforços reais para cooperar com a Colômbia no campo comercial. No entanto, ele alegou que suas forças armadas continuam a confrontar grupos criminosos ligados ao narcotráfico na fronteira sem qualquer cooperação adequada da parte colombiana.

Em contrapartida, o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia salientou que a troca contínua de informações e a execução de operações conjuntas resultaram na apreensão de 195.862 quilos de cocaína em 2025, um aumento significativo em comparação aos 86.786 quilos apreendidos em 2023. Este dado busca refutar as alegações de falta de ação no combate ao tráfico de drogas.

Consequências econômicas e tensões regionais

Analistas ouvidos pela agência de notícias francesa AFP alertam que os efeitos desta guerra comercial tendem a ser mais severos para o Equador. O país importa da Colômbia energia elétrica, medicamentos, veículos, produtos cosméticos e plásticos, com um comércio bilateral que gira em torno de US$ 2,7 bilhões. Até novembro de 2025, a Colômbia mantinha um superávit comercial de US$ 920,7 milhões, conforme dados do Departamento Administrativo Nacional de Estatísticas (DANE).

Além das tarifas, o Equador anunciou que modificará a tarifa de transporte do petróleo colombiano extraído de campos no sul do país e transportado pelo Oleoduto de Petróleo Bruto Pesado (OCP), localizado no Equador, até o Pacífico. Esta medida pode agravar ainda mais as tensões econômicas entre as nações.

Reações políticas e futuro incerto

O ex-presidente do Equador, Rafael Correa, criticou duramente Daniel Noboa, chamando-o de uma miniatura cômica e malfeita de Trump. Enquanto isso, Gustavo Petro fez um comentário irônico sobre a situação, lembrando que a Colômbia ajudou o Equador com energia durante crises anteriores.

O tempo dirá se Noboa terá força política para prosseguir com este embate comercial ou se estará colocando a população em apuros para seguir uma agenda de extrema direita. Com o preço potencialmente alto para ambas as economias, a resolução desta crise pode depender de diálogos futuros e de uma reaproximação baseada em cooperação mútua.